A participação feminina no mercado de trabalho continua em expansão em Mato Grosso do Sul e também avança no agronegócio. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS 2024) mostram que as mulheres ocupam atualmente 43,1% dos empregos formais no estado. No setor agropecuário, mais de 15 mil profissionais são do público feminino, representando 16,9% da força de trabalho.
O cenário acompanha uma tendência nacional. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), aponta que quase 11 milhões de mulheres atuaram no agronegócio brasileiro em 2023, desempenhando funções que vão desde atividades produtivas até a gestão de propriedades.
Em Mato Grosso do Sul, as trabalhadoras estão presentes em diferentes cadeias produtivas. A maior concentração está na bovinocultura, responsável por 41,7% das ocupações femininas no setor. Em seguida aparecem a produção florestal em áreas plantadas (17,5%) e o cultivo de soja (10,7%). As mulheres também participam de atividades de apoio à agricultura (7,2%) e da produção de cana-de-açúcar (4,5%).
Além do trabalho no campo, cresce também a presença feminina na administração das propriedades rurais. A Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul (Senar/MS) acompanha atualmente 9.331 propriedades no estado. Desse total, 2.753 são administradas por mulheres, o equivalente a 27,59% das unidades atendidas.
Entre as cadeias produtivas com maior participação feminina dentro da assistência técnica estão a ATeG Prepara, voltada à agricultura familiar, seguida pela olericultura, bovinocultura de leite, bovinocultura de corte e agroindústria. O crescimento demonstra que cada vez mais mulheres participam das decisões e da condução dos negócios rurais.
Para fortalecer esse protagonismo, o Senar/MS mantém programas de formação voltados às produtoras rurais. Um deles é o Mulheres em Campo, que já capacitou mais de 580 participantes no estado, com foco em gestão e desenvolvimento de empreendimentos liderados por mulheres. Para 2026, a expectativa é abrir 20 novas turmas, alcançando cerca de 300 produtoras.
Segundo a analista educacional do Senar/MS, Luciane Consoli Saad, a presença feminina contribui diretamente para a organização e o desenvolvimento das propriedades. Ela destaca que as mulheres têm atuação estratégica na gestão financeira, na diversificação das atividades produtivas e na sucessão familiar, fatores que ajudam a fortalecer a economia rural e a permanência das famílias no campo.
Além disso, a formação e a capacitação de produtoras ampliam oportunidades e reduzem desigualdades no meio rural, promovendo desenvolvimento social e econômico nas comunidades.
Trajetórias que inspiram
O avanço da liderança feminina no agro também pode ser observado em histórias como a da produtora rural Carla Aquino. Criada no interior de Mato Grosso, ela cresceu acompanhando o trabalho da família na pecuária leiteira.
Filha mais velha entre quatro irmãs, Carla seguiu inicialmente o caminho dos estudos, formando-se em biologia e posteriormente realizando mestrado e doutorado em entomologia, com pesquisas voltadas a plantas transgênicas. A trajetória acadêmica e profissional acabou levando-a novamente ao agronegócio.
Já em Mato Grosso do Sul, consolidou sua atuação no setor e passou a incentivar outras mulheres a ocuparem espaços de liderança nas propriedades rurais.
“A mulher pode liderar de onde estiver, dentro ou fora da porteira. Quando ela reconhece o próprio valor, passa a participar das decisões e assume seu papel no agro”, afirma.
Em 2025, Carla também participou do programa Donas do Agro, iniciativa do Senar/MS voltada à formação de lideranças femininas.
A instituição ainda planeja ampliar as ações voltadas às mulheres do campo. Entre as iniciativas previstas está uma nova edição do programa Donas do Agro, com previsão para 2027, que deve reunir cerca de 35 mulheres que já ocupam posições de liderança em propriedades ou instituições ligadas ao setor.
Por meio de cursos, capacitações e assistência técnica, o Senar/MS busca ampliar o protagonismo feminino no agronegócio sul-mato-grossense e fortalecer a participação das mulheres no desenvolvimento do campo.

