A desembargadora Sandra Artioli assumiu a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) com o compromisso de ampliar a proteção às mulheres e fortalecer as políticas institucionais de enfrentamento à violência de gênero.
Ao falar sobre a nova função, Artioli destacou que o principal desafio é consolidar uma política permanente e estruturada, capaz de alcançar tanto a Capital quanto os municípios do interior, reduzindo desigualdades no acesso à Justiça e aos serviços de proteção. Entre as prioridades estão a capacitação contínua de magistrados e servidores com perspectiva de gênero, o aprimoramento dos fluxos de atendimento e o uso estratégico de dados para orientar decisões.
Segundo a desembargadora, o papel do Judiciário vai além de julgar processos. A atuação inclui prevenção, articulação com outros órgãos e promoção de ações que garantam acolhimento humanizado às vítimas, evitando a revitimização e a violência institucional. Ela reforça que decisões judiciais precisam considerar as desigualdades e especificidades da violência de gênero, conforme diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A nova gestão dará continuidade a projetos já existentes, como a campanha Todos por Elas pelo fim do Feminicídio, e pretende ampliar ações educativas e culturais, além de parcerias com escolas públicas para trabalhar temas como gênero e violência desde a formação básica. Também estão no planejamento iniciativas voltadas à prevenção da reincidência, como o acompanhamento de medidas protetivas e programas reflexivos com autores de violência.
Outro eixo central da atuação será o fortalecimento da rede integrada, envolvendo Judiciário, Ministério Público, Executivo, forças de segurança e rede socioassistencial. Para isso, a Coordenadoria aposta em articulação permanente, capacitações conjuntas e disseminação de boas práticas em todo o Estado.
Sandra Artioli afirma que pretende adotar uma gestão baseada em indicadores e monitoramento de resultados, utilizando painéis de dados já existentes para identificar gargalos e aprimorar a efetividade das ações. O objetivo, segundo ela, é transformar informações em medidas concretas que ampliem a proteção às mulheres sul-mato-grossenses.
Ao deixar uma mensagem às mulheres em situação de violência, a desembargadora reforçou que elas não estão sozinhas e que denunciar é um ato de coragem. Destacou ainda a possibilidade de solicitar medidas protetivas de forma on-line, garantindo mais acesso, segurança e sigilo.

