Campo Grande recebe, a partir desta quinta (13), a exposição Viscerália, do artista visual Ryan Paes, com curadoria da também artista e pesquisadora Sara Welter, a Syunoi. A vernissage (pré-inauguração) acontece às 19h, na Galeria de Vidro, localizada na Plataforma Cultural na Avenida Calógeras 3015 no centro de Campo Grande, e promete instigar o público ao propor um olhar profundo sobre a carne, tema central que atravessa as pinturas, performances e reflexões do autor.
A mostra reúne obras criadas ao longo de anos de pesquisa e inquietações estéticas do artista, que encontrou nos açougues o ponto de partida de uma investigação simbólica sobre o corpo, a morte e a transcendência. “Tudo começou pelo meu incômodo, e fascínio, pelos açougues. Espaços frios, metálicos, cheios de cheiros e nomes quase inomináveis. Foi ali que o tema me atravessou pela primeira vez, em 2022, e tornou-se o eixo da minha pesquisa”, conta Ryan.

As telas, majoritariamente em tons vermelhos e terrosos, emergem como fragmentos de uma narrativa onde o grotesco e o belo se confundem. “A carne me interessa como espelho do próprio fenômeno humano. Somos a carne do mundo”, afirma o artista em entrevista exclusiva ao Fato67.
Segundo ele, o Centro-Oeste é um território inevitável para essa discussão. “Viver aqui é conviver com a carne em múltiplos sentidos. Ela está nas feiras, nos frigoríficos, nas conversas, na paisagem urbana e até no repertório cultural. É matéria econômica, mas também imaginária”, explica.

A curadora da mostra, Sara Welter, destaca que Viscerália tensiona fronteiras entre arte, desconforto e contemplação. “As obras do Ryan se impõem de forma visceral, fazem o espectador refletir sobre o corpo que habita e o corpo que consome. É uma exposição que desperta sentidos e atravessa o olhar”, observa Syunoi.
Mais do que representar a carne, Ryan a trata como metáfora existencial. Suas pinturas evocam rituais, cortes, texturas e gestos que expõem o limite entre o sagrado e o brutal. “O açougue, para mim, é um altar onde se celebra a vida, o corpo e, ao mesmo tempo, a morte. Pinto como quem manipula um corpo: esgarço, sobreponho camadas, deixo a carne vibrar na cor”, descreve.
A exposição convida o público a uma experiência sensorial e simbólica, onde o incômodo torna-se parte da contemplação. “Quero que o espectador se sinta convocado a olhar para o que normalmente se evita. Há beleza na carne, mas também brutalidade, e é nesse atrito que mora a potência das obras”, conclui o artista.
A abertura contará com coquetel, performances e poesias. Viscerália segue aberta ao público na Galeria de Vidro, em Campo Grande, e promete se firmar como uma das exposições mais instigantes do calendário artístico sul-mato-grossense.

