O que começou como um simples hobby para o casal gaúcho Flori da Silva e Rosicler Rodrigues acabou se transformando em um pequeno negócio de apicultura no coração do Pantanal sul-mato-grossense. Vindos do Rio Grande do Sul, eles mantinham algumas caixas para consumo próprio, até que uma oportunidade inesperada abriu caminho para o Mel do Tchê, marca que carrega a identidade da família e agora também a certificação formal para comercialização.
A primeira colmeia em Mato Grosso do Sul surgiu quase por acaso, após um pedido de ajuda para capturar um enxame em uma propriedade rural. Quando retornaram para buscar a caixa que haviam preparado, encontraram quatro enxames instalados. A produção ainda era simples e caseira, feita em casa, com retirada do mel diretamente dos favos e vendas pontuais.
Com o aumento natural da produção, o casal percebeu que era hora de profissionalizar a atividade. Após buscar orientações, chegaram ao Senar/MS, que passou a acompanhá-los por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Agroindústria, orientando desde a organização do espaço até rotulagem, precificação e exigências legais.
A formalização, contudo, exigiu perseverança. Em maio, o casal viajou ao Rio Grande do Sul buscando regularizar as últimas pendências antes da avaliação final. O desfecho, que poderia ter significado o fim do negócio, veio como alívio: a certificação foi aprovada. “O Senar estava sempre junto, passo a passo, orientando tudo. Eles ajudaram muito até a conquista do selo”, contou Rosicler.
Além da certificação, a marca ganhou identidade visual renovada. O tradicional nome “Mel do Tchê” ganhou elementos pantaneiros, como ilustrações de onça e arara, unindo as raízes gaúchas do casal à nova fase construída em Mato Grosso do Sul.
Hoje, o processo de produção segue criterioso, desde o manejo no apiário até o envase. Para Rosicler, cada etapa carrega significado. “É gratificante ver os favos cheios. No envase, a gente faz tudo com amor. Dá vontade de não parar nunca mais.” O apoio técnico permitiu transformar um hábito familiar em um empreendimento regularizado, ampliando oportunidades e fortalecendo a produção artesanal no Estado.

