O futebol feminino amador de Campo Grande foi palco de uma polêmica que expôs a falta de transparência e a pressão política em competições locais. No dia 6 de setembro, o time Leoas CG se recusou a entrar em campo contra a equipe Fênix, após a organização permitir a participação de um atleta trans do sexo masculino em um campeonato anunciado como torneio de futebol feminino na Arena Tony Gol.
A decisão das Leoas resultou em um W.O. decretado pelo organizador, que interpretou a recusa como desistência. A atitude revoltou jogadoras, torcedoras e apoiadores que defendem o cumprimento das regras oficiais.

Regulamento da Federação de Futebol de MS é claro
A apuração do Fato67 confirmou que, nos campeonatos organizados pela Federação de Futebol do Mato Grosso do Sul, a inscrição de atletas no futebol feminino é feita com base na certidão de nascimento. Ou seja, jogadores nascidos do sexo masculino não podem disputar competições femininas.
As Leoas afirmam que a regra foi ignorada. “Não houve descumprimento de regulamento da nossa parte. Quem não respeitou as normas foi a organização, que colocou um homem biológico para jogar entre mulheres”, declararam.
Narrativa da inclusão
No domingo seguinte, 14 de setembro, a equipe Fênix voltou a campo exibindo faixas coloridas em defesa da inclusão, com frases como “pelo direito de ser e existir também nos campos de futebol”. O organizador apoiou a iniciativa, se colocando como defensor da causa.

As Leoas, no entanto, acusam o movimento de inverter papéis. “Nosso time foi massacrado. Saímos do campeonato, mas isso não foi suficiente. Queriam nos pintar como transfóbicas para ganhar aplausos e likes”, disseram.
Pressão e bastidores
As atletas também denunciaram pressões e falta de transparência. Segundo elas, após o episódio, o organizador da Arena Tony Gol ligou para outros times pedindo que não abandonassem o campeonato. Jogadoras que antes afirmavam não jogar contra um homem em campo voltaram atrás depois dessas conversas.
“Elas voltaram a jogar, mas não por concordar, e sim por pressão. Chegou a ter promessa de benefícios para quem ficasse. O organizador tinha dito que suspenderia a partida para avaliar, mas no fim decretou W.O. contra nós. Ele não quis tomar posição e acabou tomando, contra mulheres”, relataram.
Ataques virtuais e tentativa de silenciamento
Após a polêmica, o time Leoas passou a sofrer ataques virtuais. Foram chamadas de transfóbicas, receberam denúncias falsas contra sua página no Instagram e enfrentaram uma onda de hostilidade.
“O pessoal tentou até derrubar nossa página com denúncias em massa. Tivemos notificações do aplicativo e passamos dias sob ataques, com ameaças de processo e pressão psicológica. Isso é discriminação invertida contra mulheres”, afirmaram.
Quem perde espaço são as mulheres
No fim, um time formado por mulheres deixou a competição, enquanto o atleta trans permaneceu em campo.
“Não saímos por transfobia. Saímos porque foi anunciado como futebol feminino, mulheres contra mulheres. O que aconteceu foi injusto. No fim, quem perde espaço somos nós, porque muitas têm medo de represálias e acabam aceitando caladas”, reforçaram.
Nota do time Fênix
Em nota, o time Fênix declarou que a saída das Leoas foi por vontade própria e não por expulsão. “Nosso embate não é contra um time, mas contra a transfobia e a difamação. Reafirmamos nosso compromisso em defender Adriana, mulher trans, de qualquer ataque discriminatório e em lutar pelo respeito e inclusão dentro e fora de campo”, afirmou a equipe.

Nota de esclarecimento da Arena Tony Gol
Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (15), a Arena Tony Gol esclareceu que a equipe Leoas FC se retirou da competição por recusar-se a enfrentar uma atleta transexual escalada pelo time adversário, Fênix FC.
A organização confirmou que a ausência de regulamentação específica sobre a participação de atletas trans no torneio gerou uma situação inédita, levando à decisão de manter a equipe Fênix no campeonato após a saída das Leoas.
A nota ainda destaca que a Arena Tony Gol repudia qualquer ato de discriminação e que, nos próximos campeonatos, será adotado o regulamento oficial do futebol nacional. “Nosso compromisso é promover o esporte com inclusão e em conformidade com as leis vigentes. Para os próximos torneios, utilizaremos as normas nacionais para garantir um ambiente justo e respeitoso para todos”, concluiu o comunicado assinado por Tony Gol.O futebol feminino amador de Campo Grande foi palco de uma polêmica que expôs a falta de transparência e a pressão política em competições locais. No dia 6 de setembro, o time Leoas CG se recusou a entrar em campo contra a equipe Fênix, após a organização permitir a participação de um atleta trans do sexo masculino em um campeonato anunciado como torneio de futebol feminino na Arena Tony Gol.

