A cidade de Nioaque, no interior de Mato Grosso do Sul, enfrenta um cenário preocupante com relação às arboviroses. O boletim da 31ª Semana Epidemiológica de 2025 divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde revela números que chamam atenção das autoridades sanitárias e da população.
Situação Atual das Doenças
Os dados oficiais mostram que até a semana epidemiológica 31, Nioaque registrou 320 notificações para cada uma das três principais arboviroses monitoradas: dengue, zika vírus e chikungunya. No entanto, os resultados das confirmações laboratoriais revelam diferenças importantes entre as doenças.
A chikungunya se destaca como a doença com maior número de casos confirmados na cidade. Das 320 notificações, 89 foram confirmadas, representando 27,8% do total. Com uma população de 13.220 habitantes, isso significa uma incidência de 673,2 casos por 100 mil habitantes, um número considerado elevado pelas autoridades de saúde.
A dengue aparece em segundo lugar com 42 casos confirmados das 320 notificações, o que representa 13,1% de confirmação. A incidência da doença fica em 317,7 casos por 100 mil habitantes. Ainda há 34 casos aguardando resultado laboratorial, o que pode alterar este número nas próximas semanas.
Já o zika vírus não apresentou nenhum caso confirmado até o momento. Das 320 notificações, 284 foram descartadas e 36 ainda estão pendentes de resultado.

Contexto Regional e Nacional
A situação de Nioaque reflete um problema mais amplo que afeta Mato Grosso do Sul e outros estados brasileiros. Segundo dados do Ministério da Saúde, Mato Grosso do Sul está entre os estados com maior incidência de chikungunya em 2025, mesmo com uma redução de 71,9% nos casos em relação a 2024.
Em nível nacional, o Brasil registrou uma redução de 65% nos casos de dengue em 2025 comparado ao mesmo período do ano anterior. Porém, a letalidade continua sendo motivo de preocupação para as autoridades sanitárias. A chikungunya também apresentou queda superior a 50% dos casos em relação ao ano anterior, concentrando-se principalmente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.
Características do Município
Nioaque é uma cidade do interior sul-mato-grossense com 13.220 habitantes segundo o Censo de 2022. O município possui uma densidade demográfica de 3,38 habitantes por quilômetro quadrado e está localizado a 170 quilômetros da capital Campo Grande.
A cidade possui características típicas de municípios de pequeno porte do interior, com economia baseada na agropecuária e desafios próprios relacionados ao saneamento básico e controle de vetores. Segundo dados do IBGE, em 2010, apenas 2.139 domicílios tinham coleta de lixo, enquanto 2.298 davam outro destino aos resíduos.
Ações de Prevenção e Controle
A Secretaria Municipal de Saúde de Nioaque mantém ações contínuas de monitoramento e controle das arboviroses. As medidas incluem visitas domiciliares realizadas pelos agentes de endemias, orientação à população sobre eliminação de focos do mosquito Aedes aegypti e campanhas educativas.
As principais estratégias recomendadas pelas autoridades incluem a eliminação de água parada, limpeza regular de calhas, descarte correto de materiais inservíveis e uso de repelentes. A colaboração da comunidade é considerada essencial para interromper a cadeia de transmissão e reduzir o número de casos.
O controle do Aedes aegypti, mosquito transmissor das três doenças, representa um desafio constante para municípios de pequeno porte como Nioaque. As ações de vigilância entomológica incluem levantamentos regulares para identificar criadouros, monitoramento de indicadores de infestação e aplicação de medidas de controle químico e biológico quando necessário.
Perspectivas e Monitoramento
A Secretaria Municipal de Saúde informou que continuará atualizando os dados semanalmente por meio dos boletins epidemiológicos. O monitoramento constante permite às autoridades ajustar as estratégias de prevenção e resposta conforme a evolução do cenário epidemiológico.
Com 131 casos confirmados de arboviroses até a semana epidemiológica 31, Nioaque apresenta uma incidência total de 990,9 casos por 100 mil habitantes, um número que requer atenção especial das autoridades sanitárias. A predominância da chikungunya sobre as demais doenças segue a tendência observada em outras cidades de Mato Grosso do Sul.
A situação reforça a importância da participação ativa da população nas medidas preventivas, já que o controle efetivo das arboviroses depende fundamentalmente da eliminação dos criadouros do mosquito vetor nos domicílios e espaços públicos da cidade.

