Novo presidente da Argentina disse que posse é marco de uma nova era na Argentina
O libertário Javier Milei (La Libertad Avanza) assumiu a presidência da Argentina neste domingo (10). Milei quebrou o protocolo de posse e fez seu primeiro discurso como presidente a apoiadores, das escadarias do Congresso, ao invés de falar primeiro no interior da Casa Legislativa.
Dirigindo-se aos seus apoiadores em frente ao Congresso, Milei disse que este é o dia no qual foram enterradas décadas de fracasso e disputas que arruinaram o país.
“Hoje começa uma nova era na Argentina. Uma era de paz e prosperidade. Uma era de crescimento e desenvolvimento. Uma era de liberdade e progresso”, disse Milei durante o discurso de posse.
O novo presidente da Argentina retomou a história do país em discurso e enfatizou o papel do movimento intelectual liberal argentino conhecido como “Geração de 37” e as bases da Constituição proposta por eles.
Segundo Milei, “a nossa liderança decidiu abandonar o modelo que nos tornou ricos e abraçar as ideias empobrecedoras de coletivismo”.
Para o presidente eleito, os políticos argentinos teriam abraçado um modelo que não serviu a população e propiciou a pobreza.
Milei comparou a ruptura gerada pela sua eleição ao impacto que a queda do Muro de Berlim teve para o mundo.
“Nenhum governo recebeu pior herança do que a que recebemos agora”, diz Milei.
“Não há alternativa possível ao ajuste”
O líder libertário também revisou mais uma vez as políticas que aplicará a partir de agora para “reorganizar a economia”.
“Não há alternativa ao ajuste, não há alternativa ao choque”, disse Milei depois de garantir que na Argentina “não há dinheiro”.
“Infelizmente, isto terá impacto na atividade econômica, na pobreza e nos salários”, admitiu. Ele também reconheceu que terá início uma cerimônia de estagflação, mas deve dizer que “não é diferente do que vivemos hoje”.
“O único ajuste possível é possível; um ajuste ordenado”, acrescentou.
“100 anos de fracassos não podem ser desfeitos num dia”
Milei também comentou sobre os ajustes que pretende para a economia. “Não há dinheiro. Não podemos nos endividar, não podemos emitir e não podemos continuar sufocando o setor privado com impostos. Não há alternativa se não o choque”, disse o novo presidente.
“A sensível proposta progressista nos levaria a uma hiperinflação à maneira da Venezuela de Maduro e Chávez”, afirmou Milei, diferenciando-se da experiência venezuelana. “Em termos de segurança, a Argentina tornou-se um banho de sangue”, acrescentou.
Apesar da perspectiva negativa, o novo presidente expressou que a Argentina “exige ação e ação imediata. Não vai ser fácil. 100 anos de fracassos não podem ser desfeitos num dia. Mas um dia começa e esse dia é hoje”.
Milei reforça que esse caminho será o de uma sociedade que incluirá menos Estado. “O nosso projeto não é um projeto de poder, é um projeto de país. Não pedimos acompanhamento cego, mas não vamos tolerar a hipocrisia e a ambição de poder interferindo na mudança desejada pelos argentinos”, disse Milei.
“Aqueles que quiserem utilizar da violência ou da extorsão para obstaculizar a mudança, para vocês digo que encontrarão um presidente de grandes convicções. Que utilizará todo o aparato estatal para conseguir as mudanças necessárias em nosso país. Estamos certos de que a liberdade é a única forma em que poderemos sair do poço em que nos colocaram.”