Uma possível reviravolta nas articulações da direita em Mato Grosso do Sul começa a ganhar contornos. O ex-deputado estadual Capitão Contar (PRTB), que em 2022 foi candidato ao governo do Estado, surge no radar do PL como possível nome para concorrer a uma das duas vagas ao Senado em 2026. A movimentação envolve diretamente o ex-governador Reinaldo Azambuja, que assumirá oficialmente o comando do partido no próximo domingo (21).
Segundo reportagem publicada nesta terça-feira (16) pelo Correio do Estado, o convite a Contar estaria ligado a um acordo político costurado dentro do PL para ampliar o arco de alianças da direita contra o presidente Lula (PT).
Questionado pelo jornal, Capitão Contar afirmou estar disposto a rever posições para priorizar o que considera um objetivo maior; ‘derrotar Lula em uma eventual tentativa de reeleição’.
“Nossa prioridade é trocar o comando do Brasil. Nunca fui do grupo do Reinaldo, mas se for para fortalecer e unir toda a direita, aumentando o arco de alianças contra o Lula 4, me coloco à disposição nessa trincheira” declarou Contar.
Histórico de embates
O possível alinhamento entre os dois chama atenção pelo passado de atritos. Durante seu mandato como deputado estadual, Contar foi um dos mais críticos de Azambuja. Em 2020, chegou a acusar o governo de superfaturar a compra de 60 mil cestas básicas. À época, o desembargador João Maria Lós deu 48 horas para que o então parlamentar apresentasse provas das denúncias feitas nas redes sociais.
Dois anos depois, em 2022, Contar voltou a se colocar como oposição ao PSDB no Estado, disputando o governo estadual contra Eduardo Riedel, candidato apoiado por Azambuja. O ex-deputado alcançou o segundo turno, mas foi derrotado.
Novo comando no PL
Em entrevista também ao Correio do Estado, Reinaldo Azambuja afirmou que a definição dos nomes para o Senado será feita com base em pesquisas qualitativas e quantitativas de intenção de voto. O ex-governador citou como alternativas já avaliadas o deputado federal Marcos Pollon e a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira.
Apesar de não confirmar negociações diretas com Capitão Contar, Azambuja destacou que a escolha será conduzida pelo diretório estadual do PL, em sintonia com o ex-presidente Bolsonaro e com Valdemar Costa Neto, presidente nacional da sigla.
“O objetivo é eleger dois senadores que tenham afinidade com as pautas da direita para o Brasil”, afirmou Azambuja.
O presidente nacional do Partido Liberal (PL) Valdemar da Costa Neto também confirmou que a condução das chapas em Mato Grosso do Sul ficará sob responsabilidade de Azambuja, sem intervenção direta da executiva nacional, que estará voltada a estados como São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Mato Grosso.
Resistências internas
A possível filiação de Capitão Contar ao PL, entretanto, pode gerar resistência dentro da própria base conservadora do ex-deputado. Contar construiu sua carreira política em oposição ao PSDB.
Essa dobradinha improvável entre ex-adversários pode provocar divisões internas e enfraquecer o projeto político do então ex-opositor Capitão Contar. Inclusive, ele teria sido convidado a participar do evento de filiação de Reinaldo Azambuja ao PL, marcado para o próximo domingo, em Campo Grande.

