Criticado por bolsonaristas pela ausência e pelo silêncio inicial, o presidente do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, comentou apenas três dias depois a Caminhada pela Liberdade, liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A demora em se manifestar reacendeu insatisfações dentro da base mais alinhada ao bolsonarismo no Estado.
Após a repercussão negativa, Reinaldo gravou um vídeo e publicou mensagem nas redes sociais avaliando o ato como um sinal político de união. Segundo ele, a mobilização mostrou que “ninguém vence sozinho” e teve impacto nacional. “Atos como a caminhada de Nikolas reforçam a força da união para irmos mais longe. Foram 240 quilômetros que ecoaram em todo o país e deixaram uma mensagem clara: quando estamos juntos, a vitória se torna possível”, escreveu.
Não é a primeira vez que Azambuja enfrenta a irritação da militância bolsonarista. Colocado na presidência estadual do PL a partir de articulações nacionais, com apoio direto do presidente da sigla, Valdemar da Costa Neto, o dirigente já havia sido alvo de críticas pela demora em defender o ex-presidente Bolsonaro (PL), ainda antes de sua prisão.
Além disso, Reinaldo tem promovido a entrada de aliados históricos do PSDB no comando e nas estruturas do partido em Mato Grosso do Sul. O movimento tem provocado desgaste com a base bolsonarista local, que reclama de falta de espaço diante do fortalecimento de figuras de centro e ex-tucanos, o que tem levado parte desses apoiadores a deixar a legenda.
Nos bastidores, Azambuja tenta equilibrar interesses e conciliar seus aliados tucanos com o eleitorado bolsonarista. No entanto, a estratégia tem gerado atritos constantes e, até o momento, não parece satisfazer plenamente nenhum dos dois grupos dentro do PL sul-mato-grossense.

