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    Beto Figueiró ataca Bolsonaro e Nikolas Ferreira e tenta se vender como “nova direita” em MS

    Beto Figueiró ataca Bolsonaro, critica Nikolas Ferreira e tenta se apresentar como “nova direita” em Mato Grosso do Sul

    Ao participar do programa Capital Meio Dia, da Rádio Capital FM, na última quarta-feira (20), Beto Figueiró deixou claro que pretende ocupar um espaço político que hoje já tem donos bem definidos. Presidente estadual do Democracia Cristã, ele se colocou como pré-candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul e afirmou que a direita precisa de uma nova representação. O problema é que, para tentar se diferenciar, Figueiró passou a atacar justamente as principais lideranças do campo conservador no país.

    Durante a entrevista, Figueiró fez duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que o bolsonarismo estaria esgotado e que Bolsonaro perdeu legitimidade para liderar qualquer projeto de ruptura institucional. Na mesma linha, atacou o deputado federal Nikolas Ferreira, do PL, hoje o político de maior alcance digital do Brasil e recordista de votos na última eleição para a Câmara dos Deputados, com 1,47 milhão de eleitores.

    Segundo Figueiró, a atuação de Nikolas se resumiria a pirotecnia virtual, sem efeitos concretos para a população. A crítica chama atenção não apenas pelo alvo escolhido, mas pelo contexto. Nikolas Ferreira é hoje uma das principais referências da direita nacional, com forte capilaridade entre jovens, conservadores e eleitores que se identificam com pautas anti-sistema. Atacá-lo, enquanto se reivindica como alternativa da direita, expõe uma contradição difícil de explicar ao eleitorado.

    A tentativa de se diferenciar do bolsonarismo ocorre ao mesmo tempo em que Figueiró acusa outras siglas de sequestrarem a direita de forma equivocada. No entanto, o próprio Democracia Cristã, partido que ele comanda em Mato Grosso do Sul, lançou nacionalmente a pré-candidatura de Aldo Rebelo à Presidência da República. Rebelo foi filiado ao PC do B por mais de duas décadas, exerceu mandato de deputado federal por 24 anos e ocupou quatro ministérios nos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff.

    Figueiró afirmou admirar Aldo Rebelo e argumentou que ele teria se afastado da esquerda | Imagem: Montagem Fato67

    Questionado sobre essa aparente incoerência, Figueiró afirmou admirar Aldo Rebelo e argumentou que ele teria se afastado da esquerda após perceber que o projeto era, segundo suas palavras, um engodo ao Brasil. A justificativa, porém, não elimina o fato de que Rebelo construiu toda a sua trajetória política dentro da esquerda e foi peça-chave dos governos petistas que hoje são duramente criticados por conservadores.

    O discurso de Figueiró também carrega um tom recorrente de combate ao chamado sistema. Ele afirma não ter rabo preso, diz nunca ter ocupado cargos públicos e sustenta que sua atuação política é movida por princípios, não por ambições pessoais. Ainda assim, os resultados eleitorais recentes não sustentam a narrativa de força política.

    Em 2022, Figueiró foi candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Capitão Contar, pelo PRTB. Apesar de chegar ao segundo turno, foi derrotado por Eduardo Riedel, então candidato do PSDB e hoje governador pelo PP. Em 2024, disputou a Prefeitura de Campo Grande pelo Partido Novo e terminou em quinto lugar, com 10.885 votos, desempenho modesto para quem agora se apresenta como protagonista da direita estadual.

    Na entrevista, Figueiró também anunciou o advogado Oswaldo Meza como pré-candidato ao Senado pelo Democracia Cristã. Meza que é o Primeiro Vice-Presidente do DC no estado foi candidato a vereador em Campo Grande em 2024, na mesma chapa de Figueiró pelo Novo, e obteve apenas 106 votos. O anúncio reforça a fragilidade eleitoral do projeto apresentado como alternativa de poder.

    Beto Figueiró (à direita) anunciou o advogado Oswaldo Meza (à esquerda) como pré-candidato ao senado pelo DC | Imagem: Reprodução YouTube

    Ao afirmar que a direita precisa de renovação enquanto ataca Bolsonaro, critica Nikolas Ferreira e se alia a um nome histórico da esquerda como Aldo Rebelo, Beto Figueiró expõe um projeto político que parece mais baseado na negação das lideranças consolidadas do que na construção de uma base sólida.

    Para um eleitorado conservador que busca clareza ideológica, firmeza de posicionamento e enfrentamento direto ao avanço da esquerda, o discurso de Figueiró levanta uma pergunta inevitável: que direita é essa que rejeita seus principais líderes, relativiza alianças com a esquerda e ainda cobra confiança para governar Mato Grosso do Sul?

    Roger Usai

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