O deputado federal Beto Pereira (PSDB), segue a linha de Reinaldo Azambuja e mantém silêncio sobre a grave situação de Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente da República e principal símbolo da direita brasileira.
Mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) referendar as medidas cautelares que obrigam Bolsonaro a usar tornozeleira eletrônica, além de impor restrições como o recolhimento domiciliar noturno e proibição de uso das redes sociais, Beto evitou qualquer manifestação. O silêncio chama ainda mais atenção diante da aliança que levou o PSDB a se unir ao PL de Bolsonaro em Mato Grosso do Sul para a eleição municipal de 2024, onde o deputado foi apoiado pelo ex-presidente na disputa da prefeitura na capital.

A articulação nacional, que contou com o aval do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, do ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB), do senador Rogério Marinho e do próprio Bolsonaro, atropelou a costura da senadora Tereza Cristina (PP), que negociava apoio ao projeto de reeleição da prefeita Adriane Lopes (PP). Mesmo sem o PL, Adriane chegou ao segundo turno e foi reeleita, com o apoio de Tereza Cristina.
Tensão com STF aumenta: Bolsonaro pode ser preso a qualquer momento
A situação jurídica do ex-presidente se agravou nesta semana. A Primeira Turma do STF referendou as medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, com votos favoráveis da ministra Cármen Lúcia e dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin. Apenas Luiz Fux divergiu. Segundo Moraes, Bolsonaro adotou “conduta reiterada” que pode configurar coação, tentativa de obstrução das investigações e até ações contra o Estado Democrático de Direito.
De acordo com apuração da imprensa nacional, se a prisão de Bolsonaro for decretada, o ex-presidente deverá ser levado para o Batalhão da Polícia do Exército em Brasília, mesmo local onde ficou detido seu ex-ajudante de ordens, o coronel Mauro Cid, hoje delator. A Polícia Federal não teria como custodiar Bolsonaro, pois a superintendência em Brasília desativou o espaço destinado à prisão de temporários.
Críticas a Trump incomodam base bolsonarista
Enquanto silencia sobre Bolsonaro, Beto Pereira fez questão de se manifestar nas redes sociais contra as decisões do presidente norte-americano Donald Trump. Após o republicano anunciar medidas que atingem diretamente produtos brasileiros, o deputado publicou no antigo Twitter (X):
“É lamentável que um chefe de Estado despreze a impessoalidade e traga para o campo político-ideológico a justificativa da taxação de produtos entre dois países que, há anos, ostentam uma relação comercial tão sólida e respeitosa. Temos, sim, problemas internos! No STF, no desgoverno Lula, mas precisamos exigir respeito ao setor produtivo, ao nosso povo e à nossa soberania! Respeito ao Brasil.”

A declaração repercutiu mal entre apoiadores do bolsonarismo, que veem em Trump uma figura aliada e símbolo internacional da direita. A crítica foi considerada um “tiro no pé” político, sobretudo pelo momento de crise envolvendo Bolsonaro.
Reaproximação com PL em xeque
Nos bastidores, circulam informações de que Beto Pereira poderia desembarcar no PL ao lado de Azambuja, abandonando o PSDB. Porém, diante do cenário de desgaste com a base bolsonarista e da omissão em relação à prisão iminente do ex-presidente, o movimento já é olhado com certa desconfiança por alguns aliados de Bolsonaro.
Enquanto isso, lideranças conservadoras seguem questionando a tentativa de alinhamento de Beto com os valores da direita, principalmente diante do silêncio sobre a ofensiva do STF contra Bolsonaro.

