O senador Nelsinho Trad (PSD) viu chegar ao fim as chances de integrar a chapa majoritária do grupo governista nas eleições de outubro em Mato Grosso do Sul. A sinalização ocorreu após a divulgação de carta do ex-presidente Bolsonaro, compartilhada por Michelle Bolsonaro, dando apoio ao deputado Marcos Pollon (PL) como um dos dois candidatos do PL ao Senado.
Até então, Nelsinho mantinha expectativa de ser escolhido pelo grupo como nome ao Senado, além da aproximação com o governo estadual, Trad mantinha aproximação com o próprio ex-presidente antes de sua prisão. Durante a semana, aliados chegaram a se animar após entrevista do governador Eduardo Riedel (PP) em rede nacional, na qual mencionou o PSD como possível integrante da coligação. O cenário, no entanto, mudou com o apoio de Bolsonaro a Pollon.
Antes mesmo da carta, Nelsinho já enfrentava concorrência interna com o deputado estadual Capitão Contar. Agora, além de disputar espaço político, teria que superar o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), apontado como nome estratégico na aliança e que ocupa a primeira vaga ao Senado após convite de Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto para comandar a sigla no Estado.
Com o novo cenário, aliados do senador avaliam que uma eventual ruptura entre Riedel, Azambuja e o Partido Liberal poderia reabrir espaço para negociação. A definição dev, e ocorrer até o fechamento da janela partidária, em 4 de abril, prazo final para trocas de legendaexceção feita a militares da ativa, o que não se aplica ao caso.
Dentro do Partido Social Democrático, Nelsinho também enfrenta limitações estratégicas. O presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, tem defendido apoio à reeleição de Riedel, o que reduz a margem de manobra do senador para pressionar por espaço na chapa majoritária.
A situação do PSD no Estado também preocupa aliados. A legenda pode não lançar candidatos competitivos à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa.

