O presidente estadual do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso do Sul, Tenente Portela, reagiu com surpresa à denúncia registrada contra o ex-candidato a vereador Bruno Ortiz, do próprio partido. Em contato com a equipe do Fato67, Portela afirmou que acompanhará o caso com atenção além de ter demonstrado insatisfação com os ataques que Bruno fez ao ex-presidente Jair Bolsonaro e que não descarta encaminhar o nome de Ortiz ao conselho de ética nacional do PL, o que pode culminar na expulsão do ex-candidato.

A movimentação demonstra, segundo Portela, o compromisso de sua gestão com os princípios éticos e, sobretudo, com o respeito às mulheres – algo que, na visão dele, não pode ser relativizado nem dentro, nem fora do ambiente político.
A denúncia que acendeu o alerta foi registrada na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) em Campo Grande. Ortiz é acusado de injúria e perseguição contra a jornalista G. A. B. da S., servidora pública e assessora de comunicação. Segundo a vítima, tudo começou após um vídeo em que o então candidato denunciava a ausência de manutenção em uma rua da Capital — conteúdo que, segundo ela, não condizia com a realidade.

A profissional, ao tentar corrigir as informações de forma institucional, passou a ser alvo de postagens sarcásticas, marcações insistentes e ataques pessoais por parte de Ortiz. “Ele me chamava de puxa-saco, distorcia os fatos, e eu precisei responder, porque era minha função esclarecer”, contou. O episódio ganhou contornos ainda mais graves quando Ortiz, conforme relatado por ela, zombou de um trauma pessoal envolvendo violência sexual que a jornalista sofreu no passado.
“O que mais me assustou foi quando ele disse que, depois de tudo que passei, eu não havia aprendido nada com a vida. Isso ativou um gatilho psicológico muito forte. Voltei a tomar remédio, tive crise de ansiedade, e foi aí que decidi registrar o boletim”, disse, emocionada.
O caso segue em investigação, mas até o momento não houve novas convocações para depoimentos. “Se ele já agiu assim sem mandato, o que fará com poder nas mãos?”, questiona a denunciante, preocupada com a possibilidade de Ortiz ocupar cargo público.
Além da denúncia criminal, o ex-candidato se envolveu em outro episódio polêmico nos bastidores do partido. Poucos dias antes da manifestação nacional pela anistia dos presos do 8 de janeiro, promovida por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, Ortiz publicou um vídeo dizendo que não participaria do ato. “Eu não vou ser massa de manobra”, declarou, afirmando que, na sua opinião, “o grande culpado foi o Bolsonaro”.

A fala repercutiu mal dentro do PL, especialmente por ter vindo de alguém que, em sua campanha, disse que não utilizaria o fundo eleitoral, mas acabou recebendo R$ 100 mil do partido. Para piorar, mesmo com esse investimento, Ortiz teve apenas 1.147 votos — o nono mais votado do PL na Capital.

Nos bastidores, o ex-candidato passou a ser chamado de “manequim de tucano” pela ala mais conservadora de Campo Grande pela proximidade com nomes ligados ao PSDB durante o pleito eleitoral.
Agora, com uma denúncia criminal nas costas e críticas públicas à principal figura do PL, Ortiz pode estar vivendo seus últimos dias sob o partido de Bolsonaro.
O PL nacional ainda não se manifestou sobre o possível envio do caso ao conselho de ética, mas, ao que tudo indica, o clima não é dos mais favoráveis para quem, no palanque, pregava lealdade e conservadorismo — mas, nas redes sociais, preferiu o deboche.