Depois de dez dias em completo silêncio sobre a operação da Polícia Federal que teve o ex-presidente Bolsonaro (PL) como alvo, o ex-governador Reinaldo Azambuja, se posicionou publicamente. Na sexta-feira (18), dia em que a PF deflagrou a operação contra Bolsonaro, Azambuja evitou comentar o caso, preferiu publicar nas redes sociais uma foto tomando café com chipa. Nos dias seguintes, vieram imagens de feijoada e mensagens devocionais. Nos bastidores, aliados acreditam que o ex-governador optou por se afastar e observar com cautela como a base bolsonarista reagiria aos desdobramentos das investigações.
Nesta segunda-feira (28), durante entrevista ao programa Tribuna Livre, da Rádio Capital FM, Reinaldo rompeu o silêncio; confirmou que está em fase final de negociação para se filiar ao PL (Partido Liberal) e saiu em defesa de Bolsonaro, a quem classificou como “extremamente injustiçado”. Segundo ele, a decisão de migrar para o partido está “98% encaminhada”.
“Se o presidente Jair Bolsonaro puder ser candidato, é ele o nosso candidato. Não tenho dificuldade em dizer isso com tranquilidade”, afirmou. Azambuja também disse acreditar que a inelegibilidade do ex-presidente pode ser revertida até julho de 2026. “Ele não está condenado. É apenas uma denúncia”, pontuou, em referência aos processos que tramitam no STF e no TSE.
Apesar de ainda estar formalmente filiado ao PSDB, partido ao qual pertence há 30 anos, Reinaldo já atua como presidente estadual do PL em Mato Grosso do Sul. Segundo membros da sigla no Estado, ele tem tomado decisões internas, conduzido reuniões e articulado a chegada de deputados estaduais e prefeitos ao partido.
A movimentação, no entanto, já provoca desconforto entre lideranças mais ideológicas do PL. Reinaldo é visto por parte da base bolsonarista como alguém distante da raiz conservadora do partido. Ainda assim, mesmo com resistência interna, o clima predominante entre os bolsonaristas locais é de silêncio, muitos preferem evitar confronto direto para não correr o risco de perder o número 22 nas urnas em 2026, que já está consolidado como símbolo eleitoral da direita no Estado.
Ao comentar as expectativas eleitorais para o próximo pleito, o ex-governador demonstrou otimismo. “Acredito que podemos eleger de três a quatro deputados federais e de seis a sete estaduais”, declarou, ao defender a formação de uma aliança robusta para ampliar a representatividade da legenda no Congresso Nacional.
Embora a filiação formal ao PL ainda não tenha sido oficializada, a expectativa é que o evento de entrada no partido ocorra nas próximas semanas, com presença de lideranças nacionais.

