Um acordo firmado entre a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), garantiu o fim da greve dos motoristas do transporte coletivo da Capital. Com a decisão, o serviço deve ser retomado de forma gradual a partir desta quinta-feira (18), após o adiantamento de repasses estaduais ao Consórcio Guaicurus para a quitação de salários atrasados.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-CG), Demétrio Freitas, a categoria confirmou o retorno das atividades após o anúncio do pagamento. “Com o anúncio do pagamento, a volta será gradual, mas amanhã é certeza que todos estarão rodando”, afirmou.
Estado e Município chegaram a um consenso para antecipar o repasse de R$ 3,3 milhões ao Consórcio Guaicurus, valor considerado suficiente para encerrar a paralisação, que já é a maior registrada nos últimos 31 anos. De acordo com Demétrio, o depósito deve ser realizado ainda nesta quinta-feira. Apesar disso, os trabalhadores seguem apreensivos com novos atrasos por parte do Consórcio. “A incerteza continua, principalmente em relação ao pagamento do mês de janeiro”, lamentou.
Acordo entre poderes
Para viabilizar o fim da greve, o Governo do Estado decidiu antecipar parcelas de um convênio firmado com a Prefeitura de Campo Grande, que financia o passe dos estudantes da Rede Estadual de Ensino (REE). O convênio, assinado em junho de 2025, prevê o repasse de R$ 13.470.573,90 para custear o transporte de alunos das escolas estaduais até junho de 2026.
O valor seria pago em quatro parcelas. Conforme informado pela Prefeitura, o Município está em dia com os repasses ao Consórcio, restando apenas uma parcela pendente por parte do Estado. Com a antecipação, o governo estadual vai transferir R$ 3,3 milhões ao Município, que repassará o montante ao Consórcio Guaicurus.
“Depende só do Consórcio. Eles estarão com todo o dinheiro em mãos. Não há nenhuma desculpa para a greve não acabar hoje”, declarou a prefeita Adriane Lopes nesta quinta-feira (18).
Maior greve em três décadas
A greve do transporte coletivo chegou ao quarto dia consecutivo nesta quinta-feira (18), deixando Campo Grande sem ônibus e acumulando impactos para a população e o comércio. Com a paralisação mantida até o anúncio do acordo, o STTCU-CG acumulou cerca de R$ 520 mil em multas por descumprimento de decisões judiciais.
A continuidade da greve foi confirmada pela categoria na tarde de quarta-feira (17). À época, os motoristas afirmaram não ter sido procurados para novas negociações e descartaram suspender o movimento sem garantias de pagamento integral dos salários atrasados.
Esta é a maior paralisação do transporte coletivo da Capital em 31 anos. A última greve total havia ocorrido em outubro de 1994, quando o serviço ficou suspenso por três dias. Diferentemente daquele episódio, em 2025 os trabalhadores decidiram manter a paralisação mesmo diante de ordem judicial para retorno ao trabalho, condicionando a volta ao recebimento integral dos salários devidos.

