Comissão Eleitoral da UCVMS muda regra das urnas e gera acusações de coação e irregularidade.
A eleição da União das Câmaras de Mato Grosso do Sul (UCVMS), marcada para às 09h da próxima quarta-feira (02), já começa envolta em polêmica. A atual Comissão Eleitoral decidiu alterar a sistemática de votação, estabelecendo 32 urnas, uma para cada câmara votante. Na prática, isso significa que os vereadores votarão em urnas nominais de suas respectivas cidades, o que gerou uma série de questionamentos sobre a lisura do processo.

Segundo fontes ouvidas por nossa equipe, a decisão compromete o sigilo do voto, facilitando a identificação dos eleitores e possíveis retaliações políticas caso o resultado não agrade determinados grupos. “Isso é um ato claro para coagir a decisão dos eleitores. A ideia deles é fiscalizar o voto”, denunciou uma fonte que preferiu não se identificar. Em 2021, por exemplo, a votação foi realizada com apenas três urnas, garantindo maior segurança ao sigilo dos votos.

A polêmica se agrava pelo fato de a decisão ter sido tomada unilateralmente pelo presidente da Comissão Eleitoral, vereador Jairo de Fátima do Sul, sem reunião com todos os membros da comissão. A medida contraria o estatuto da UCVMS, que estabelece que a votação deve ser secreta e não distinguida.
Atualmente, 403 vereadores estão aptos a votar, mas a expectativa é que haja 390 votantes. A UCVMS conta com 74 câmaras filiadas, porém apenas 31 terão direito a voto. A disputa é entre a Chapa 1, liderada pelo vereador Daniel Júnior, e a Chapa 2, do atual presidente Jeovani Vieira.
Acusações de perseguição política
Denúncias apontam que prefeitos estão interferindo diretamente na escolha dos vereadores. Uma fonte revelou que um determinado prefeito teria proibido ex-vereadores que trabalham em sua gestão de participarem da votação, sob pena de exoneração.
Diante do impasse, advogados da Chapa 2 tentam uma liminar para reverter a decisão da Comissão Eleitoral e garantir a realização de uma votação realmente secreta. Caso a eleição ocorra da forma planejada pela Comissão, a chapa de Jeovani Vieira já anunciou que pedira a anulação do pleito por inconstitucionalidade.
Questionamentos sobre parcialidade da Comissão Eleitoral
Outro ponto levantado é a relação familiar entre o presidente da Comissão Eleitoral e um advogado ligado à Chapa 1. Segundo informações obtidas pela nossa redação, o advogado tem um filho com a filha do presidente da Comissão, levantando dúvidas sobre a imparcialidade do órgão responsável pela condução do processo eleitoral.
Além disso, a Comissão Eleitoral foi criticada por aplicar regras de forma seletiva. O município de Jardim teve sua filiação indeferida por não ter pago a contribuição 30 dias antes do pleito, enquanto o vereador Neto Santos, de Campo Grande, foi aceito mesmo tendo feito o pagamento fora do prazo estipulado. Outro caso levantado foi o do vereador Coringa, membro da Chapa 1, que teria sido aceito mesmo sem quitar sua mensalidade.
Diante das irregularidades apontadas, parlamentares criticam duramente a condução da Comissão Eleitoral. “Se mantiverem da forma que está, alguns vereadores não irão aceitar essa ditadura velada pela comissão eleitoral, pois fere o princípio da isonomia e é antidemocrático”, afirmou uma fonte.
Próximos passos
Com a votação marcada para amanhã às 09h, os advogados da Chapa 2 seguem tentando reverter a decisão por meio de um mandado de segurança. Caso a eleição seja mantida nos moldes atuais, a possibilidade de anulação do pleito está sendo cogitada pelos opositores, que alegam violação das normas estatutárias e tentativa de manipulação do resultado.