Com a renovação de dois terços do Senado nas eleições gerais de 2026, Mato Grosso do Sul deverá eleger dois senadores.
Em um cenário de alta polarização nacional, as candidaturas tendem a se alinhar majoritariamente aos polos bolsonarista e lulista, com poucas alternativas efetivamente posicionadas fora dessa disputa.
Atualmente, os senadores Soraya Thronicke (Podemos) e Nelsinho Trad (PSD) já indicaram que disputarão a reeleição. Trad, no entanto, foi condenado na semana passada e está inelegível por 12 anos, embora pretenda recorrer e manter-se pré-candidato.
A seguir, confira o espectro político e o histórico de cada nome cotado para a disputa:
Nelsinho Trad (PSD): Direita bolsonarista em ascensão
Historicamente identificado com a política fisiológica e pouco envolvido em pautas ideológicas, Nelsinho Trad passou a se aproximar do ex-presidente Jair Bolsonaro após a eleição de 2018.
Mesmo com vínculos familiares diversos, Marquinhos Trad (PDT) identificado com a centro-esquerda e Fábio Trad (PT), ex-deputado e aliado do presidente Lula, o senador adotou posição mais firme à direita nos últimos anos. Inelegível por decisão judicial recente, Trad tenta reverter a sentença para manter sua candidatura.
Soraya Thronicke (Podemos): Centro-Esquerda
Eleita como surpresa em 2018, Soraya Thronicke surgiu como uma das lideranças nas manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff. O rompimento com Bolsonaro começou a ocorrer ainda no primeiro ano do mandato, sobretudo após divergências envolvendo a CPI da Lava Toga. Thronicke era favorável e Bolsonaro contrário.
A partir de 2021, Soraya intensificou o discurso crítico ao ex-presidente, mantendo-se mais ao centro, após 2022, passou a flertar mais com a centro-esquerda. É atualmente uma das cotadas para receber apoio do presidente Lula na disputa de 2026.
Reinaldo Azambuja (PL) – Direita do agronegócio, alinhado ao bolsonarismo
Ex-governador por dois mandatos, Reinaldo Azambuja sempre integrou o PSDB, mas manteve laços estreitos com Bolsonaro ao longo de sua gestão. Com o aval de Valdemar Costa Neto, assumiu recentemente o comando do PL em Mato Grosso do Sul, oficializando sua migração para a direita bolsonarista.
Azambuja é hoje considerado o principal nome do bolsonarismo para o Senado.
Gerson Claro (PP) – Centro-direita tradicional
Presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro atua como político de centro-direita, com posições econômicas liberais e oposição a aumentos de impostos do governo Lula. No PP, colocou-se como pré-candidato ao Senado, buscando ocupar um espaço mais centro dentro do campo conservador.
Vander Loubet (PT): Esquerda petista
Deputado federal no terceiro mandato, Vander Loubet é um dos principais representantes do PT no Estado e defensor de pautas progressistas. Busca consolidar seu nome como candidato ao Senado com apoio de Lula, mas enfrenta resistência dentro da cúpula nacional.
Uma solução ventilada é que Loubet aceite ser primeiro suplente de Simone Tebet, caso ela concorra.
Simone Tebet (MDB): Centro-esquerda petista
Ministra do Planejamento e nome de destaque no governo federal, Simone Tebet vive seu momento de maior projeção nacional. Dentro de MS, porém, enfrenta a resistência do ex-governador André Puccinelli, que rejeita qualquer alinhamento com Lula.
Com apoio do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, Tebet diz a aliados que pretende disputar o Senado por Mato Grosso do Sul, apesar de convites para concorrer pelo PT em São Paulo. Se isso ocorrer, Vander Loubet deve ser o primeiro suplente.
Gianni Nogueira (PL): Direita bolsonarista
Vice-prefeita de Dourados e próxima do círculo íntimo de Bolsonaro, Gianni Nogueira vinha tentando manter sua pré-candidatura pelo PL. Com a dobradinha Azambuja + Contar praticamente consolidada, ela passou a buscar outra sigla e deve migrar para o Novo para continuar na disputa.
Capitão Contar (PL): Direita bolsonarista
Fora dos holofotes desde 2022, Capitão Contar ressurgiu ao se aliar a Reinaldo Azambuja e filiar-se ao PL. Figura emblemática do bolsonarismo no Estado, Contar não esconde que busca o apoio direto de Bolsonaro, mesmo que isso o coloque como segunda opção da chapa.
Aposta no forte recall das eleições passadas para garantir uma das duas vagas.

