Campo Grande, MS – 08 de janeiro de 2025 – O deputado federal por Mato Grosso do Sul, Marcos Pollon (PL), concedeu uma entrevista exclusiva ao Fato67, onde pela primeira vez falou publicamente sobre seu diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Em 2023, o deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) fez história ao ser o primeiro parlamentar a divulgar publicamente seu diagnóstico de autismo no Congresso Nacional. Agora, Pollon segue os mesmos passos, sendo o primeiro político do estado a declarar essa condição.
Recebendo o Diagnóstico
Pollon compartilhou suas impressões sobre o momento em que recebeu o diagnóstico. “É bem estranho, é bem diferente quando você recebe o diagnóstico,” afirmou. Ele explicou que, apesar de inicialmente ser preocupante, o diagnóstico trouxe um alívio, permitindo que ele compreendesse várias limitações que antes não entendia. “Você começa a entender várias limitações que você tem e que você não entendia. É como se você achasse que é normal algumas coisas, e, de repente, você vê que é uma condição biológica.”
Para Pollon, a descoberta do TEA foi libertadora. “Você entende que tem uma condição biológica diferente das outras pessoas,” disse ele, mencionando que por muito tempo se culpava por suas dificuldades em conviver e lidar com outras pessoas. “Eu tinha muito problema em aceitar determinados limites que hoje eu entendo que é uma condição clínica.”

Buscando o Diagnóstico na Vida Adulta
Ao falar sobre o que o levou a buscar o diagnóstico na fase adulta, Pollon mencionou suas dificuldades de comunicação e relacionamento interpessoal. “Nunca fui muito popular, não tive muitos amigos e isso nunca me incomodou,” explicou.
Pollon começou a perceber suas limitações quando entrou para a política. A necessidade de estar constantemente em contato com outras pessoas e de dar atenção a elas foi um grande desafio. “Eu tinha o verdadeiro pavor de responder o WhatsApp. Eu não entendi porque eu não gosto de atender telefone,” revelou.
A busca pelo diagnóstico foi motivada pelo desejo de entender essas dificuldades. “Eu comecei a conhecer algumas características do transtorno do espectro autista e começou a encaixar tudo,” disse Pollon, que passou por um processo de diagnóstico que durou cerca de nove meses.
Impacto do Diagnóstico
O diagnóstico de TEA permitiu que Pollon compreendesse melhor suas próprias limitações e características. “Hoje eu consegui entender por que eu tenho essas dificuldades,” afirmou, destacando a importância de buscar ajuda profissional e o apoio de sua família.
Reflexões sobre a Trajetória Política
Pollon também refletiu sobre momentos de sua vida e carreira política que agora fazem sentido à luz do diagnóstico. Ele mencionou sua dificuldade em ser flexível com mudanças e a necessidade de ser sincero em suas posições. “Eu não consigo criar uma narrativa só para agradar o eleitor,” disse ele, destacando que essa sinceridade muitas vezes é vista como um problema em seu mandato.
Influência do Diagnóstico na Atuação Parlamentar
Sobre a influência do diagnóstico em sua atuação como parlamentar, Pollon afirmou que agora entende melhor suas limitações e busca respeitá-las. “Eu tenho problema muito grande com barulho, com multidão,” explicou, mencionando que tem usado fones de ouvido em algumas situações para se resguardar.
Pollon destacou que sua sinceridade e transparência são características que ele valoriza, mesmo que isso possa ser impopular. “Eu acho isso bom, você ser sincero com as pessoas,” afirmou.
Impacto Pessoal e Político
Pollon acredita que o diagnóstico não afetará sua defesa da liberdade e do acesso a meios de legítima defesa, nem sua militância na causa armamentista. Ele ressaltou que os conservadores, em geral, trabalham em prol das pautas de todas as pessoas com deficiência (PCDs), incluindo autistas. Ele mencionou a atuação da ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro, e da finada ex-deputada federal, Amália Barros, defensoras dos direitos das pessoas com deficiência.

“Eu nunca criei um personagem, eu nunca escondi a forma que eu penso,” disse Pollon, enfatizando que quem votou nele tem o direito de saber a verdade sobre sua condição.
Mudanças na Rotina Pessoal e Profissional
Pollon explicou que o diagnóstico o ajudou a entender que suas limitações não são por má vontade ou má índole, mas sim uma condição biológica. “Eu tenho me preservado mais,” disse ele, mencionando que agora presta mais atenção em seus relacionamentos, especialmente com a família. Ele também destacou a importância de ser mais cuidadoso na política, interpretando melhor as intenções das pessoas ao seu redor.
Desafios no Contexto Político
Pollon reconheceu que enfrenta preconceitos e limitações no contexto político devido ao autismo. “Eu preciso trabalhar mais, me dedicar mais para poder compensar esses problemas,” afirmou, destacando a necessidade de policiar suas atitudes. Ele mencionou que muitas vezes comete “sincericídios”, sendo excessivamente sincero, o que pode ser prejudicial em um ambiente político.
Representatividade e Conscientização
Pollon acredita que seu diagnóstico pode ajudar a trazer visibilidade e reduzir preconceitos sobre o autismo, especialmente em espaços de poder. Ele mencionou que ver outras pessoas em posições de destaque assumindo publicamente o diagnóstico o inspirou a fazer o mesmo. “O fato de eu me posicionar e assumir isso publicamente pode ser sim uma forma de reduzir o preconceito,” disse ele.
Responsabilidade Extra
Pollon comentou sobre a responsabilidade extra que sente por ser, possivelmente, o primeiro deputado federal autista de Mato Grosso do Sul ou até do Brasil. Ele destacou que, embora não se veja como o único ou o primeiro, reconhece a importância de defender a causa autista. “Quando você vive isso, você tem um cuidado maior, uma preocupação maior,” afirmou, mencionando que seu diagnóstico pode inspirar outras pessoas a superarem suas limitações e buscarem espaços de destaque.
Engajamento em Pautas de Neurodiversidade
Pollon afirmou que já é bastante engajado em pautas ligadas ao autismo e à neurodiversidade, mas reconhece a necessidade de divulgar mais seu trabalho nessa área. “Eu preciso fazer mais vídeos sobre isso,” disse ele, destacando que defende essas causas há bastante tempo e que a divulgação pode ajudar a aumentar a conscientização.
Plano de Ação
Pollon expressou seu compromisso em criar ou apoiar políticas públicas específicas voltadas para pessoas com autismo, especialmente adultos. Ele destacou a importância de respeitar os limites espaciais e ambientais das pessoas com TEA e de possibilitar o desenvolvimento pleno dessas pessoas. Pollon também enfatizou a necessidade de dar suporte às mães de crianças neurodivergentes, que enfrentam muitos desafios.
Desmistificando o Autismo
Pollon acredita que sua posição política pode contribuir para desmistificar o autismo entre seus eleitores e a população em geral. Ele mencionou a importância de divulgar mais informações sobre o TEA e de dar visibilidade a influenciadores que falam sobre o transtorno, independentemente de suas posições políticas.
Inspiração para Outros
Pollon espera que sua trajetória possa inspirar outras pessoas no espectro a se engajarem na política ou na vida pública. Ele compartilhou experiências de como seu diagnóstico trouxe esperança para outras pessoas e destacou a importância de mostrar que é possível ter sucesso na vida e na carreira, mesmo com as limitações impostas pelo transtorno.
Mensagem ao Público
Pollon deixou uma mensagem para pessoas que receberam um diagnóstico tardio como o seu. “Todo mundo é diferente, ninguém é igual a ninguém. O fato de você ter esse diagnóstico ou outros não vai te tornar uma pessoa melhor nem pior. Vai te dar características que você vai aprender a trabalhar com elas,” afirmou. Ele enfatizou a importância de respeitar as condições de cada indivíduo e de não julgar as pessoas por suas condições físicas ou neurológicas.
Pollon também destacou a importância de buscar entender e respeitar os limites das pessoas com TEA. “Para quem recebeu o diagnóstico tardio, fica tranquilo, você vai se acostumar com a ideia. E principalmente procure entender quais são as características do seu transtorno para que você possa lidar racionalmente com essas características,” disse ele.
A declaração de Pollon não apenas ilumina sua jornada pessoal, mas também abre caminho para uma maior compreensão e aceitação do autismo na sociedade.