O tão aguardado “adesivaço” convocado por ativistas LGBT e movimentos de esquerda neste sábado (5), em protesto contra a prefeita Adriane Lopes (PP), acabou se revelando um verdadeiro mico político. Realizado no cruzamento da avenida Afonso Pena com a rua 14 de Julho, o ato prometia causar comoção popular, mas terminou com um público modesto — para não dizer inexistente.

A organização do evento, em tom otimista, afirmou que foram distribuídos mais de 1.000 adesivos. No entanto, relatos de quem esteve no local contam outra história. Segundo testemunhas, no máximo 40 veículos circularam com o adesivo colado, e muitos dos motoristas que passavam pegavam apenas por curiosidade, guardavam no console e seguiam viagem sem qualquer demonstração de apoio.

A presença de equipamentos profissionais de áudio e vídeo chamava mais atenção do que a própria manifestação. Tripés, câmeras e microfones aguardavam ansiosamente por uma multidão que simplesmente não apareceu. Era visível a tentativa da organização em registrar ângulos que dessem ares de um evento “bombado” — tentativa frustrada.
“Quando vi o pessoal reunido, achei que fosse alguma concentração da Marcha da Maconha ou um esquenta pra Parada Gay”, comentou o comerciante Cilas, que trabalha há mais de duas décadas no centro da cidade e diz nunca ter visto um protesto “tão colorido quanto vazio”.

A manifestação, marcada pela expectativa de causar desgaste à imagem da prefeita Adriane Lopes, acabou por escancarar a dificuldade da oposição em mobilizar a população fora das redes sociais. Entre palavras de ordem repetidas ao vento e bandeiras agitadas diante de semáforos fechados, restou apenas o eco das promessas de “adesão massiva” que, mais uma vez, ficaram no mundo das ideias.
Enquanto os adversários tentam colar a rejeição, Adriane parece seguir blindada pelo desinteresse popular a esse tipo de protesto performático. E assim segue a disputa: de um lado, uma prefeita no cargo; do outro, uma oposição que ainda não aprendeu a encher uma calçada.