A manifestação marcada para este domingo, 3 de agosto, na Praça do Rádio Clube, em Campo Grande, ganhou um novo contorno político. Além dos já esperados gritos de “Fora Lula” e “Fora Xandão”, um grupo conservador local, o Resistência MS, passou a divulgar materiais com uma nova palavra de ordem: “Fora Azambuja”.
O ato faz parte da mobilização nacional Reaja Brasil, que reivindica o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, além de pautas como anistia aos presos do 8 de janeiro, o fim da censura e o resgate das liberdades democráticas. Em Campo Grande, a concentração será às 10h, com previsão de carreata e motociata.

A polêmica começou com uma publicação feita pelo perfil no Instagram @resistenciams, que exibiu o que aparenta ser um adesivo com os dizeres “Fora Lula & Fora Xandão & Fora Azambuja”. O material foi repostado pela ativista e suplente de vereadora pelo PL, Vivi Tobias, o que gerou repercussão entre filiados e apoiadores do partido.

A crítica direta ao ex-governador Reinaldo Azambuja, que recentemente foi anunciado pelo presidente estadual do PL, Tenente Aparecido Portela, como o novo nome à frente da legenda no estado, escancara o racha interno entre os setores mais tradicionais do bolsonarismo em Mato Grosso do Sul.
Apesar de não estar formalmente filiado ao PL, Azambuja já estaria “tocando o partido”, segundo afirmou o próprio Portela, em entrevista recente, justificando que a movimentação atende a um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Contudo, a adesão de Azambuja ao partido tem sido alvo de fortes críticas dentro da base conservadora. Militantes ligados ao movimento bolsonarista apontam seu histórico político ligado ao PSDB, partido que por décadas rivalizou com o conservadorismo de direita, além das investigações criminais que o ex-governador enfrenta, envolvendo denúncias de corrupção e desvio de recursos públicos.
Para esses setores, o nome de Azambuja não representa os valores históricos do PL, tampouco possui trajetória de defesa das bandeiras do conservadorismo, como a luta contra o aborto e pautas LGBT, liberação do armamento civil, anistia aos presos do 08 de janeiro, voto impresso, a escola sem doutrinação ideológica, entre outras pautas caras ao eleitorado de direita.
Procurada pela reportagem do Fato67, Vivi Tobias não retornou até o fechamento desta matéria.
A expectativa para a manifestação deste domingo é de grande participação popular, com presença de ativistas, lideranças locais, apoiadores do ex-presidente Bolsonaro e cidadãos inconformados com os rumos políticos do país. O protesto poderá ainda se tornar palco para um novo embate entre a base conservadora e o comando estadual do PL, caso os gritos de “Fora Azambuja” se multipliquem entre os presentes.

