Uma manifestação realizada na tarde da última quinta-feira, dia 8, no Centro de Campo Grande, acabou se transformando em um palanque político-partidário com discursos eleitorais antecipados e defesa explícita de candidaturas para as eleições de 2026. O ato ocorreu na esquina da Rua 14 de Julho com a Avenida Afonso Pena, nas proximidades da Praça Ari Coelho, e reuniu militantes de partidos e movimentos de esquerda sob o slogan “8 de Janeiro Nunca Mais”.
A mobilização fez parte de uma série de manifestações realizadas em diversas cidades do país em referência aos atos de vandalismo ocorridos em 8 de janeiro de 2023, em Brasília, quando prédios públicos foram depredados por manifestantes inconformados com o resultado das eleições presidenciais. Em Campo Grande, o ato foi convocado por organizações como PT, PCB, PSOL, CUT, MST, PC do B, Unidade Popular, Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular.

Durante a manifestação, discursos com tom eleitoral chamaram a atenção. O presidente da Juventude Socialista do PDT em Mato Grosso do Sul, Neldo Peters, discursou no carro de som e defendeu abertamente a construção de uma frente ampla de esquerda no Estado, citando nomes e metas eleitorais para os próximos pleitos.

“É um grande desafio esse ano que é construir essa candidatura do nosso grande Fábio Trad. Nós temos condições de fazer uma bancada de deputados estaduais, quatro, cinco, seis deputados estaduais nessa frente ampla, dois, três deputados federais, o nosso companheiro Vander ganhar as eleições como senador”, afirmou. No discurso, Neldo também fez críticas ao atual cenário político estadual, falou em mudança de grupo no poder e defendeu pautas ligadas ao funcionalismo público, professores e trabalhadores em geral.
Além dos discursos, um grupo de manifestantes ateou fogo em imagens do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e do deputado federal Eduardo Bolsonaro, em um gesto simbólico de protesto político, sem registro de confronto ou intervenção policial no local.
Entre as lideranças presentes estavam a ex-ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, o deputado federal Vander Loubet, a vereadora Luiza Ribeiro e o pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad. A presença das lideranças reforçou o caráter político do ato, que extrapolou a proposta inicial de defesa da democracia e passou a incorporar pautas eleitorais e ideológicas.

Após a manifestação, Cida Gonçalves publicou em seu perfil no Instagram um texto no qual relaciona o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff ao que classifica como um ataque à democracia e à participação feminina na política. Na publicação, a ex-ministra afirmou que “não existe democracia sem mulheres no poder” e defendeu a ampliação da presença feminina nos espaços de decisão, associando o 8 de janeiro à necessidade de resistência política.
O deputado federal pelo PT, Vander Loubet escreveu em seu Instagram, “Há dois anos, o Brasil assistiu a um ataque covarde contra a democracia, contra as instituições e contra o voto do povo. Não foi protesto. Foi tentativa de golpe. Defender a democracia é defender o direito de cada brasileiro escolher seu futuro nas urnas, com respeito, diálogo e responsabilidade.”
O ato ocorreu de forma pacífica, mas evidenciou o uso de uma mobilização temática para a antecipação do debate eleitoral em Mato Grosso do Sul, com discursos direcionados à formação de alianças, lançamento de candidaturas e mobilização de bases partidárias.

