O ex-ministro da Secretaria de Governo Carlos Marun afirmou que pretende procurar, ainda nesta semana, o ex-presidente Michel Temer para defender sua candidatura à Presidência da República nas eleições de outubro. A informação foi divulgada pela coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo.
Segundo Marun, a iniciativa surge de sua insatisfação com o atual cenário eleitoral. Ele declarou não se sentir representado nem pelo presidente Lula (PT) nem pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como possível nome do bolsonarismo para a disputa presidencial. “Entre o Flávio e o Lula, eu não tenho vontade de votar em nenhum”, afirmou.
Aliado histórico de Temer, Marun ocupou cargos centrais no governo entre 2017 e 2018 e também exerceu mandato como deputado federal pelo MDB em Mato Grosso do Sul. Ele afirmou que não pretende apoiar Lula por considerar que o presidente mantém uma postura hostil ao ex-presidente Temer e a seu grupo político, associando-os ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.
O ex-ministro também fez críticas ao campo bolsonarista. De acordo com ele, não há identificação com a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, citando como exemplo a viagem do senador a Israel no início das articulações eleitorais. Descendente de libaneses, Marun disse ter posições críticas em relação ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
Na avaliação do ex-ministro, uma eventual candidatura de Michel Temer poderia devolver protagonismo ao centro político e oferecer uma alternativa à polarização que marca o cenário nacional. Marun elogiou nomes como os governadores Ratinho Junior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS), mas afirmou que o MDB teria melhores condições de liderar um projeto de centro.
Marun disse ainda que pretende procurar o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, para discutir os impactos da iniciativa na coesão interna do partido, que atualmente se encontra dividido entre alas alinhadas ao governo Lula e ao bolsonarismo.

