Depois que o Fato67 revelou, em primeira mão, que o nome de Carlos Bolsonaro passou a ser ventilado nos bastidores do Partido Liberal (PL) como possível candidato ao Senado por Mato Grosso do Sul, o ex-governador e atual presidente estadual da sigla, Reinaldo Azambuja, veio a público negar qualquer tratativa nesse sentido.
A declaração, publicada nesta segunda-feira (10) pelo site Investiga MS, parece ter sido uma tentativa de conter o desconforto interno dentro do próprio PL, que ainda enfrenta resistência de parte da base conservadora à liderança de Azambuja.
Segundo o ex-governador, “nunca houve conversa sobre isso” com lideranças do partido. Questionado sobre a possibilidade de Carlos Bolsonaro entrar em futuras pesquisas de intenção de voto, Azambuja foi categórico: “Isso nunca foi cogitado”.
A fala contradiz o movimento que circula entre dirigentes do PL nacional desde o início do mês, quando fontes próximas ao partido confirmaram ao Fato67 que Mato Grosso do Sul voltou ao radar da família Bolsonaro após o impasse em Santa Catarina, onde o filho do ex-presidente enfrenta resistência para viabilizar sua candidatura ao Senado.
O impasse catarinense envolve Carlos Bolsonaro, a deputada federal Caroline de Toni e a deputada estadual Ana Campagnolo, que disputam internamente quem representará o campo conservador na corrida eleitoral. O desgaste entre as lideranças do PL de Santa Catarina teria levado aliados a cogitar outras praças para o projeto político do clã Bolsonaro, e o nome de Mato Grosso do Sul foi um dos primeiros a surgir, diante da forte presença bolsonarista no Estado.
Apesar disso, o cenário local não é simples. Azambuja, recém-filiado ao PL, ainda tenta consolidar sua liderança no partido, mas enfrenta resistência de figuras alinhadas ao bolsonarismo raiz, como Capitão Contar, Marcos Pollon e Gianni Nogueira, esta última apoiada diretamente por Jair Bolsonaro.

Para analistas políticos, a negativa de Azambuja tem um duplo objetivo: afastar rumores que possam azedar de vez sua relação com a base conservadora e, ao mesmo tempo, preservar sua posição dentro do partido diante da sombra política da família Bolsonaro.
Nos bastidores, a avaliação é de que o ex-governador tenta evitar a percepção de que estaria sendo “atropelado” por uma possível candidatura do filho do ex-presidente, o que poderia deslocar o protagonismo do PL sul-mato-grossense e desarticular os planos de Azambuja para 2026.
Enquanto isso, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro seguem avaliando cenários alternativos para Carlos Bolsonaro, incluindo redutos da região Norte e estados com forte base ruralista, como revelou a coluna de Mota Filho, do portal Política SC.
O episódio expõe mais uma vez o racha entre o PL raiz e o PL do centrão, e mostra que, por trás das negativas públicas, o tabuleiro político para 2026 segue em plena movimentação.

