A senadora Soraya Thronicke (PODEMOS) deve bater o martelo sobre seu futuro partidário até março. Em ano eleitoral com duas vagas ao Senado em disputa, a parlamentar sul-mato-grossense, que buscará a reeleição, tornou-se alvo de articulações que envolvem partidos do campo da centro-esquerda e da esquerda.
Nos bastidores, legendas como PDT e PV chegaram a abrir conversas com interlocutores próximos à senadora, mas as tratativas não avançaram. O movimento mais recente partiu do PSB, que intensificou o diálogo. A investida conta com nomes de peso. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o prefeito do Recife, João Campos, presidente nacional do PSB, estariam à frente de uma força-tarefa para atrair a senadora para a legenda.
No campo petista, o deputado federal Vander Loubet, pré-candidato ao Senado, já citou Soraya em entrevistas e chegou a falar sobre uma possível dobradinha, considerando que o eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado. Pessoas próximas ao parlamentar não descartam, inclusive, uma eventual aproximação do próprio presidente Lula, com o objetivo de consolidar a senadora em um partido da base aliada.
Apesar do assédio e da provável ida ao PSB nos próximos dias, o Podemos trabalha para manter Soraya em seus quadros, durante o Carnaval na Capital, o secretário-geral nacional do partido, Luiz Cláudio Freire de Souza França, marcou presença em agenda ao lado da senadora, gesto interpretado como sinal claro de prestígio interno e de interesse na sua permanência.
A parlamentar tem ampliado seu protagonismo, especialmente no interior do Estado, em razão da destinação de emendas ao longo dos últimos sete anos para prefeituras de diferentes espectros ideológicos, da direita à esquerda. Entre os repasses, o que mais ganhou visibilidade nos municípios foi a emenda considerada recorde de R$ 5 milhões para um programa inédito de castração animal.
A atuação nas pautas de defesa das mulheres e a presença frequente em agendas culturais também consolidaram sua imagem. Temas classificados como de centro e até progressistas ampliaram o diálogo com variados segmentos do eleitorado, inclusive considerados estratégicos para o presidente Lula no Estado.
Nos bastidores, aliados avaliam como mais provável uma mudança de partido, diante da percepção de que parte significativa de seus eleitores tem migrado para posições mais ao centro e a centro-esquerda. Ainda assim, a definição oficial deve ficar para março.

