O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), conhecido nas redes sociais como o “mais louco do Brasil”, será ouvido pela Justiça no próximo dia 9 de outubro. Ele é réu em ação penal eleitoral que apura crimes de falsidade ideológica e ocultação de patrimônio, após ter utilizado uma casa e veículos de luxo em nome de um acusado por narcotráfico preso em operação da Polícia Federal (PF).
A audiência foi marcada pelo juiz Rodrigo Barbosa Sanches, da 27ª Zona Eleitoral de Ivinhema. Juliano responde ao processo de número 0600530-89.2024.6.12.0027, que poderá resultar em até cinco anos de prisão, caso seja condenado.
Patrimônio sob suspeita
Segundo as investigações, o prefeito não declarou à Justiça Eleitoral a posse de duas caminhonetes de luxo — uma Chevrolet Silverado e uma Dodge Ram —, além de morar em um imóvel em nome de Luiz Carlos Honório, de 66 anos, apontado como integrante de esquema ligado ao tráfico de drogas. Honório foi preso em agosto de 2024, durante a operação Lepidosiren, mas atualmente responde em liberdade monitorado por tornozeleira eletrônica.
A Polícia Federal bloqueou a casa e a Silverado, avaliadas em quase R$ 1 milhão, e apontou indícios de lavagem de dinheiro. Em depoimento, Juliano admitiu ter comprado os veículos “no fiado”, afirmando ainda dever cerca de R$ 400 mil pela Silverado.
“Pagando de xerife”
Juliano Ferro também chamou atenção dos investigadores ao tentar intimidar policiais federais disfarçados em Ivinhema, pouco antes da deflagração da operação contra o narcotráfico. Segundo relatório obtido pelo Jornal Midiamax, ele teria se comportado como se liderasse uma rede de vigilância na cidade, com apoio de servidores públicos que acessavam bancos de dados oficiais para monitorar pessoas e veículos.
Com cerca de 1 milhão de seguidores, o prefeito ganhou notoriedade na internet por realizar rifas e postar vídeos com tom desafiador. Ele costuma usar as redes sociais para se promover como “destemido” e “sincerão”, além de compartilhar rotinas da gestão e mensagens a adversários políticos.
Defesa nega irregularidades
A defesa do prefeito, representada pelo advogado João Vitor Comiran, nega ocultação de bens e afirma que Juliano sempre declarou seu patrimônio de forma transparente. Segundo nota enviada à imprensa, os veículos citados na denúncia não faziam parte do patrimônio dele à época da eleição de 2024, sendo ilícito declarar bens de terceiros.
“A declaração de bens na Justiça Eleitoral deve refletir a realidade patrimonial do candidato. Existem documentos que comprovam que os veículos não eram de propriedade de Juliano naquele momento”, diz o comunicado.
A audiência de instrução será realizada no Fórum de Ivinhema e contará com a oitiva do prefeito e de testemunhas. Enquanto isso, o processo relacionado à apreensão de drogas segue em segredo de Justiça.

