Após o governo do Paraguai anunciar que passará a classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, o prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos (PSDB), avaliou a medida como um passo importante, mas que requer atenção.
A decisão paraguaia segue os passos da Argentina e ocorre após uma megaoperação policial no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 mortes e levantou o temor de que chefes do crime organizado tentem cruzar a fronteira para escapar da repressão.
Ao jornal Midiamax o prefeito comentou: “Vejo essa medida com cautela e otimismo. Por um lado, a classificação pode levar a um enfrentamento mais efetivo contra essas organizações criminosas. Por outro, é fundamental que as medidas adotadas sejam equilibradas e respeitem os direitos humanos, para evitar abusos e garantir a eficácia no longo prazo”, afirmou o tucano.
Na última quinta-feira (30), sete governadores, entre eles o de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), anunciaram a criação do Consórcio da Paz, uma iniciativa que busca integrar forças de segurança e promover a troca de informações entre os estados no combate ao crime organizado.
Com fronteira extensa com o Paraguai e a Bolívia, Mato Grosso do Sul é considerado ponto estratégico no enfrentamento ao narcotráfico. Dos 79 municípios sul-mato-grossenses, 45 estão total ou parcialmente inseridos na faixa de fronteira. Em Ponta Porã, a conurbação com Pedro Juan Caballero, no lado paraguaio, exige atenção redobrada das forças de segurança.
Para Campos, a decisão do Paraguai demonstra um endurecimento das políticas de segurança e o comprometimento em proteger a população. No entanto, ele considera que a adoção de medida semelhante no Brasil deve ser analisada com cuidado.
“O Brasil tem sua própria dinâmica de segurança e precisa considerar seus contextos específicos. A decisão do Itamaraty de não incluir as facções brasileiras como terroristas em acordo recente com Argentina e Paraguai sugere que há uma abordagem cuidadosa em relação ao tema. É importante que o governo brasileiro analise os impactos potenciais e discuta amplamente antes de tomar uma decisão”, pontuou o prefeito.

