A participação da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL), em um encontro informal do Partido Novo, conhecido como Happy 30, na noite de sexta-feira, voltou a movimentar os bastidores da política em Mato Grosso do Sul. O evento, realizado na cidade, segue um costume adotado por filiados e simpatizantes do Novo, que promovem reuniões de confraternização e debate político nos dias 30 de cada mês, sem caráter comemorativo institucional.
Gianni é pré-candidata ao Senado Federal e, até o momento, é a única postulante em Mato Grosso do Sul a contar com apoio público e direto do ex-presidente Jair Bolsonaro. Antes de ser preso, Bolsonaro já havia manifestado esse apoio de forma explícita, inclusive em atos públicos. Em uma dessas ocasiões, Gianni discursou em carro de som na Avenida Paulista, durante manifestação convocada pelo próprio ex-presidente, consolidando sua projeção nacional junto ao eleitorado conservador.

Apesar dessa ligação direta com Bolsonaro, a vice-prefeita enfrenta um cenário interno delicado dentro do Partido Liberal no Estado. Desde que o ex-governador Reinaldo Azambuja assumiu o comando da sigla em Mato Grosso do Sul, lideranças identificadas com o conservadorismo passaram a perder espaço. Em paralelo, quadros oriundos do PSDB, partido que Azambuja presidiu por anos, vêm sendo gradualmente incorporados à estrutura do PL.
Nos bastidores, a avaliação de dirigentes e militantes conservadores é de que o partido atravessa um processo de esvaziamento ideológico. A legenda, que nacionalmente se consolidou como principal abrigo do bolsonarismo, estaria sendo usada localmente como instrumento de acomodação política, distante das pautas que mobilizaram sua base eleitoral nos últimos anos.
A disputa em torno do Senado intensifica esse cenário. Reinaldo Azambuja tenta viabilizar sua própria candidatura e, segundo interlocutores do partido, avalia diferentes estratégias para ampliar seu espaço político. Entre elas, estaria a possibilidade de permitir candidaturas alinhadas ao centro ou até mesmo explorar nomes com apelo popular, como forma de diluir a força de candidaturas genuinamente conservadoras.
Aliados de Gianni veem com preocupação esse movimento. O receio é de que a popularidade do bolsonarismo seja utilizada apenas de forma instrumental, sem compromisso real com suas bandeiras, servindo como meio para projetos pessoais dentro do partido.
Nesse contexto, a presença de Gianni Nogueira em um encontro informal do Partido Novo foi interpretada como um gesto político relevante. Embora não represente mudança partidária, a participação sinaliza abertura ao diálogo com outros setores da direita e do liberalismo, ao mesmo tempo em que expõe o desconforto de conservadores com os rumos adotados pelo PL em Mato Grosso do Sul.

