O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou nesta quarta-feira (24) que poderá reavaliar o valor da linha de crédito agrícola, inicialmente fixada em R$ 12 bilhões, após pressão do deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) durante reunião da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, presidida por ele.
Nogueira argumentou que o montante previsto nas Medidas Provisórias 1314/25 e 1316/25 está longe de atender às necessidades do setor agropecuário, especialmente em estados fortemente afetados por estiagens nos últimos anos, como Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.
“Salvar o agro não é opção, é missão. Precisamos de crédito real, juros mais baixos e recursos disponíveis diretamente aos produtores. Muitos estão endividados e alguns já perderam a vida por não conseguirem pagar suas dívidas”, alertou o parlamentar.
A linha de crédito anunciada pelo governo é voltada a produtores que tiveram estado de calamidade pública ou situação de emergência decretados em pelo menos dois anos entre 2020 e 2024, além de comprovarem perdas mínimas de 20% na produção em duas das três principais culturas agrícolas.
Haddad afirmou que o valor pode ser ajustado se for considerado insuficiente. “Os R$ 12 bilhões resultaram de uma negociação com o Congresso e não encerram o debate. Vamos acompanhar a evolução do cenário”, afirmou o ministro.
Em resposta, Nogueira sugeriu que o governo utilize recursos do fundo social do pré-sal, como prevê o Projeto de Lei 5122/23, aprovado na Câmara e em tramitação no Senado. “Esses R$ 30 bilhões, hoje destinados ao programa Pé de Meia, poderiam ser usados para salvar quem produz o alimento que chega à mesa dos brasileiros”, concluiu.

