A atuação do vereador Rafael Tavares (PL) em relação ao debate sobre o IPTU em Campo Grande expõe uma contradição que tem chamado a atenção nos bastidores da política local. Enquanto o parlamentar se apresenta publicamente como um dos principais críticos do imposto e afirma liderar um movimento para derrubar o veto da prefeita Adriane Lopes a um projeto de redução da cobrança, um site ligado diretamente ao seu círculo mais próximo tem veiculado publicidade institucional da própria campanha de pagamento do IPTU promovida pela Prefeitura.

Nesta segunda-feira, dia 26, Rafael Tavares anunciou em suas redes sociais que a Câmara Municipal já teria votos suficientes para derrubar o veto da prefeita ao projeto que trata da redução do IPTU. Segundo o vereador, o tema deve marcar o início do ano legislativo com embates entre o Legislativo e o Executivo. A publicação foi classificada por ele como urgente e buscou reforçar sua imagem de oposição firme à atual política tributária do município.

No entanto, apuração do Fato67 identificou que, no dia 23 de janeiro de 2026, o site MS Conservador exibia um banner publicitário oficial da campanha de IPTU 2026 da Prefeitura de Campo Grande. A publicidade institucional incentivava justamente o pagamento do imposto que o vereador afirma combater no discurso político.
Fontes ouvidas pela reportagem, que pediram anonimato por receio de perseguições, afirmam que os valores pagos pela Prefeitura de Campo Grande para esse tipo de divulgação ao chefe de gabinete de Tavares podem chegar a até R$ 20 mil por campanha. Embora os números exatos não estejam disponíveis publicamente, o montante levanta questionamentos sobre a coerência entre o discurso político e as práticas adotadas por pessoas diretamente ligadas ao gabinete do parlamentar.
Em consulta ao sistema Whois, a equipe do Fato67 confirmou que o domínio msconservador.com.br segue registrado em nome de Danilo Assis Azambuja, chefe de gabinete de Rafael Tavares. A informação reforça a ligação direta entre o vereador e o site que veiculou a publicidade oficial da campanha de IPTU da Prefeitura.
Na prática, o episódio expõe uma situação delicada. De um lado, Rafael Tavares se apresenta como opositor do aumento do IPTU e tenta capitalizar politicamente o descontentamento de parte da população com a carga tributária. De outro, um veículo vinculado ao seu principal auxiliar direto é beneficiado com recursos públicos para divulgar a arrecadação do mesmo imposto.
O contexto político amplia ainda mais o desgaste. Rafael Tavares encontra-se atualmente inelegível em razão de uma condenação criminal, o que dificulta sua permanência no cenário eleitoral futuro. Pessoas próximas ao ambiente político apontam que o vereador enfrenta resistência interna para construir um sucessor, em meio a disputas de protagonismo e ao receio de perder espaço no nicho eleitoral que consolidou ao longo dos últimos anos.

