O ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), que se prepara para ingressar no Partido Liberal (PL) e disputar uma vaga ao Senado em 2026, completa uma semana sem se manifestar em defesa de Bolsonaro após decisão do Supremo Tribunal Federal que impôs tornozeleira eletrônica ao ex-presidente. O silêncio provocou forte reação entre eleitores da direita e já abre uma crise interna no campo bolsonarista sul-mato-grossense.
Nas redes sociais, a ausência de apoio de Reinaldo gerou críticas de apoiadores do ex-presidente. Um internauta disparou: “Esse aí pode sentar no colo do Bolsonaro que não tem meu voto”. Outro comentou; “A direita de MS vai muito além do PL. São pessoas que realmente sabem discernir quem é de verdade e quem apenas se faz”.


A cobrança ocorre em meio à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou, na última terça-feira (18), o uso de tornozeleira eletrônica por Bolsonaro, além de recolhimento domiciliar noturno e proibição de uso das redes sociais. A medida foi tomada no âmbito das investigações sobre suposta tentativa de golpe de Estado.
Enquanto o seu principal cabo eleitoral nas eleições de 2026 era alvo de operações no Supremo Tribunal Federal, o ex-governador seguiu com agenda social leve. Desde a decisão judicial, Reinaldo publicou oito vezes nas redes sociais: fotos tomando café e comendo chipa, participações em eventos no interior, feijoada, publicação de “TBT” e uma mensagem pelo dia de São Cristovão padroeiro dos motoristas. Em nenhuma das postagens houve menção ou defesa a Bolsonaro.
Nos bastidores, Reinaldo já atua como liderança informal do PL no Estado, organizando as chapas proporcionais para 2026. A expectativa é que ele traga ao menos cinco deputados para a legenda durante a janela partidária. O silêncio, no entanto, começa a levantar dúvidas sobre a fidelidade política do ex-governador ao bolsonarismo.
Aliados próximos minimizam a ausência de declarações públicas, afirmando que o foco atual é a construção partidária. Mas a cobrança nas redes sociais evidencia que parte do eleitorado de direita espera posicionamentos mais firmes diante da ofensiva judicial contra Bolsonaro.
Com a pré-campanha em andamento e uma disputa interna por espaço no campo conservador, o distanciamento pode ter custos políticos para Reinaldo em 2026.

