Nomes de peso da política nacional passaram a ser especulados como possíveis candidatos a vice-presidente em uma eventual chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Entre os mais citados nos bastidores estão a senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP), o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD).
Apesar de pressões de setores do mercado e de interlocutores políticos para que o ex-presidente Bolsonaro (PL) recue da ideia de lançar o filho à Presidência da República, aliados avaliam que Bolsonaro segue firme na defesa do nome de Flávio como representante do campo da direita.
Nesse cenário, Tereza Cristina tem ganhado força nas articulações internas. Ex-ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, a senadora representa o bloco formado por PP e União Brasil, partidos que integram uma federação marcada por disputas internas, mas que recentemente deixaram a base formal do governo do presidente Lula (PT), apesar de ainda manterem cargos e indicações na administração federal.
Considerada uma parlamentar de perfil moderado, com bom trânsito no agronegócio e capacidade de diálogo com diferentes setores, Tereza é apontada por lideranças em Brasília como o nome que larga na frente na disputa pela vaga de vice.
Outro nome lembrado é o de ACM Neto, que teria como principal trunfo a força eleitoral no Nordeste e no Norte do país. O ex-prefeito de Salvador é visto como uma liderança capaz de ampliar o alcance regional da chapa. Já Ratinho Junior aparece como opção por comandar um dos principais estados do Sul e por integrar o PSD, partido de centro que concentra o maior número de prefeitos no país e é liderado nacionalmente pelo secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, Gilberto Kassab, um dos principais articuladores do centrão.
Cenário fragmentado à direita
Paralelamente, governadores de direita defendem uma estratégia diferente para a disputa presidencial. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), tem se manifestado publicamente a favor do lançamento de múltiplas candidaturas no primeiro turno, com a unificação do campo da direita apenas em uma eventual segunda etapa da eleição. A mesma posição é compartilhada pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), que tem se mantido bem avaliado em seu Estado e já confirmou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.
Ratinho Junior, apesar de também ser citado como possível vice, segue como pré-candidato do PSD à Presidência, o que mantém o cenário aberto dentro do campo da centro-direita.
Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem descartado, ao menos por ora, qualquer movimentação rumo ao Planalto e concentrado esforços na reeleição estadual. Ainda assim, é visto por analistas e por setores do mercado como um nome que poderia unificar governadores de direita em torno de uma candidatura presidencial. Nesse contexto, a senadora Tereza Cristina também chegou a ser cogitada, em outros momentos, como possível vice em uma eventual chapa liderada por Tarcísio.

