Movimentações recentes do Ministério Público Eleitoral em Campo Grande têm gerado debates sobre a uniformidade de critérios adotados em processos envolvendo figuras políticas do Estado. O procurador regional eleitoral Luiz Gustavo Mantovani, que em 2024 se manifestou em defesa de adversários da prefeita Adriane Lopes (PP), passou a adotar postura mais rígida em relação à própria chefe do Executivo municipal.
Em janeiro do ano passado, Mantovani emitiu parecer contrário à Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) que colocava em risco o mandato do deputado estadual Professor Rinaldo Modesto (Podemos), irmão da ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil). À época, Rose era pré-candidata à Prefeitura de Campo Grande, posição que manteria até ser derrotada por Adriane Lopes no segundo turno. Ao recomendar a improcedência da ação, o procurador contribuiu diretamente para a manutenção do mandato de Rinaldo na Assembleia Legislativa.
Meses depois, em setembro de 2024, Mantovani voltou a se manifestar em favor de outro nome que disputou as eleições municipais: Beto Pereira (PSDB), derrotado no primeiro turno. Na ocasião, o procurador posicionou-se contra um recurso que questionava o registro de candidatura do tucano, garantindo a permanência de Beto na disputa.
O tom, no entanto, mudou quando o foco passou a ser a atual prefeita. Em 2025, Mantovani recorreu da decisão que absolveu Adriane Lopes em uma ação por suposta compra de votos nas eleições de 2024, e chegou a apresentar manifestação favorável à cassação do mandato da gestora por “captação ilícita de sufrágio” — mesmo após a Justiça ter rejeitado a acusação por falta de provas.
As manifestações divergentes alimentam questionamentos sobre eventuais pesos e medidas distintos na condução de casos com forte carga política.

Justiça julga ação improcedente, MP recorre
O Ministério Público Eleitoral, por meio do procurador Luiz Gustavo Mantovani, recorreu da decisão que absolveu a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e sua vice, Camilla Nascimento (Avante), em ação que investigava suposta compra de votos nas eleições municipais de 2024. A apelação foi apresentada em março deste ano, apesar de a Justiça de primeira instância ter julgado improcedente a denúncia por falta de provas.
Em abril, uma nova ofensiva foi registrada. Segundo reportagem do site Diário MS News, Mantovani apresentou manifestação favorável à cassação dos mandatos de Adriane e Camilla por “captação ilícita de sufrágio”, acusação que já havia sido afastada pela Justiça anteriormente.