O ex-presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS), Francisco Cezário de Oliveira, teve mais uma tentativa frustrada de retornar ao comando da entidade. Após alegar que não tinha condições financeiras para pagar R$ 419 em custas judiciais, Cezário quitou as taxas, mas teve o pedido de recurso negado pelo desembargador Fernando Mauro Moreira Marinho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
Fora da presidência desde outubro de 2024, Cezário tem movido diversas ações judiciais para tentar retomar o cargo, todas sem sucesso. Nesta última tentativa, buscava levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas inicialmente pediu isenção das custas sob alegação de que não poderia arcar com os valores sem comprometer seu sustento.
Apesar de a defesa alegar hipossuficiência financeira, o ex-dirigente — que responde por desvio de R$ 10 milhões da FFMS e chegou a esconder R$ 800 mil em dinheiro vivo sob o colchão — não apresentou documentos que comprovassem sua alegação, como extratos bancários ou declaração de renda. A Justiça então exigiu a documentação sob pena de indeferimento. Na sequência, os comprovantes apresentados foram, na verdade, os de pagamento das taxas exigidas: R$ 259,08 ao STJ e R$ 157,86 ao TJMS.
Mesmo com as taxas quitadas, o recurso foi rejeitado. Para o desembargador, o pedido de Cezário “não supera todas as exigências em sede de juízo de prelibação”, o que impede o prosseguimento da ação.
Acusações e destituição
A FFMS justificou a destituição de Cezário com base em documentos da Operação Cartão Vermelho, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). A investigação aponta que o ex-presidente transferiu mais de R$ 2 milhões da entidade para parentes, omitiu dados de balanços financeiros e até falsificou carimbos de estabelecimentos comerciais.
Em petição protocolada no dia 10 de fevereiro, a entidade afirmou que as práticas do ex-presidente “não coadunam com as boas práticas administrativas” e que os atos de gestão irregular foram previamente analisados juridicamente e divulgados a todos os filiados.
Francisco Cezário foi afastado da presidência em 14 de outubro de 2024, por decisão de assembleia extraordinária convocada pelo então presidente interino Estevão Petrallas. O ex-dirigente foi preso durante a operação do Gaeco e responde por organização criminosa, peculato, furto qualificado, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Atualmente, está em liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica.
Novo comando na FFMS
Após um período de transição turbulento, a FFMS realizou eleições em abril de 2025. Estevão António Petrallas, que assumia interinamente a presidência desde a saída de Cezário, foi eleito para comandar oficialmente a entidade, encerrando um ciclo de 28 anos de Cezário à frente do futebol sul-mato-grossense. A defesa do ex-presidente ainda contesta judicialmente sua destituição e promete recorrer das decisões desfavoráveis.

