A Operação Spotless, deflagrada nesta terça-feira (9) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), resultou na prisão do prefeito de Terenos, Henrique Budke (PSDB), apontado como líder de uma organização criminosa responsável por fraudes em licitações que movimentaram mais de R$ 15 milhões. Ao todo, 16 pessoas foram presas.
Entre as empresas investigadas está a Tecnika Construção e Locação de Equipamentos LTDA, contratada em novembro de 2023 para pavimentar o bairro Jardim América, onde reside o prefeito. O contrato foi firmado por R$ 321,5 mil. Na disputa, a diferença entre as propostas apresentadas pelas concorrentes foi de apenas 0,7%.
A empreiteira mantém outros contratos no município, que somam cerca de R$ 1,5 milhão. Menos de um ano após a primeira contratação, a empresa também foi vencedora de uma licitação de R$ 1,18 milhão para recapeamento e serviços de sinalização viária, em um edital inicialmente estimado em R$ 2,4 milhões.
Esquema de fraude
As investigações apontam que o grupo funcionava em núcleos com atribuições específicas. Servidores públicos eram responsáveis por manipular editais e simular concorrência, de forma a direcionar os contratos às empresas favorecidas.
Além da manipulação nas disputas, a organização pagava propina a agentes públicos que atestavam falsamente a execução de serviços e aceleravam a liberação de pagamentos.
A Operação Spotless teve como base provas colhidas na Operação Velatus, realizada em agosto de 2024. De acordo com o Gaeco e o Gecoc, foi confirmada a participação direta do prefeito na liderança do esquema.
O nome da operação, “Spotless” (sem manchas, em inglês), faz referência à necessidade de lisura nos processos de contratação pública. A ação contou com apoio operacional da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, por meio do Batalhão de Choque (BPChq) e do Bope (Batalhão de Operações Especiais).
Prefeitura se manifesta
Em nota, a Prefeitura de Terenos confirmou a ação do Gaeco e informou que ainda não foi oficialmente comunicada sobre os motivos da operação.
“Até o momento, o Poder Executivo Municipal não foi oficialmente comunicado sobre o real motivo da ação. Ressaltamos, porém, que a Prefeitura está colaborando integralmente com as autoridades competentes, fornecendo todas as informações e documentos que se fizerem necessários para o esclarecimento dos fatos”.

