O juiz Márcio Alexandre Wust, da 6ª Vara Criminal de Campo Grande, abriu prazo de cinco dias para que acusação e defesa apresentem as alegações finais na ação penal que apura o suposto desvio de R$ 10 milhões envolvendo o ex-presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul, Francisco Cezário de Oliveira, e outras 11 pessoas, entre elas quatro sobrinhos do dirigente.
A decisão foi publicada no Diário de Justiça Eletrônico na terça-feira (24). O processo tramita em segredo de Justiça. Os réus respondem por crimes como peculato, organização criminosa e furto qualificado.
As audiências de instrução e julgamento ocorreram entre fevereiro e maio do ano passado. Durante a fase processual, o magistrado rejeitou pedidos da defesa para declarar nulas as interceptações telefônicas, as medidas cautelares determinadas pela Justiça e o próprio andamento da ação. Em dezembro de 2025, também foi negado pedido da FFMS para ter acesso aos autos.
Após a oitiva de testemunhas de acusação e defesa e o interrogatório dos réus, o juiz determinou a intimação das partes para apresentação dos argumentos finais. “Ficam as defesas dos réus intimadas a apresentar as alegações finais no prazo de cinco dias”, consta no despacho.
Com a medida, o processo entra na fase final antes da sentença, quase dois anos após a operação deflagrada em 21 de maio de 2024, que resultou no afastamento de Cezário do comando da entidade, cargo que ocupava havia 28 anos. Ele chegou a ficar preso por 34 dias, utilizou tornozeleira eletrônica e foi novamente detido em momento posterior.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, tem 253 páginas e é resultado da Operação Cartão Vermelho. Segundo a acusação, os recursos desviados teriam sido repassados à federação pelo Governo do Estado, por meio da Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul, e pela Confederação Brasileira de Futebol.
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, foram encontrados R$ 800 mil em espécie na residência do ex-dirigente. À época, Cezário afirmou que o valor correspondia a economias acumuladas ao longo de décadas. Após ter a prisão preventiva decretada pelo juiz Eduardo Eugênio Siravegna Júnior, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, ele sofreu um princípio de infarto e foi internado no Hospital da Cassems.
Além de Cezário, foram denunciados Aparecido Alves Pereira, Francisco Carlos Pereira, Marcelo Mitsuo Ezoe Pereira, Umberto Alves Pereira, Valdir Alves Pereira, Rudson Bogarim Barbosa, Jamiro Rodrigues de Oliveira, Marcos Antônio Tavares, Marcos Paulo Abdalla Tavares, Luiz Carlos de Oliveira e Marco Antônio de Araújo.
O Ministério Público Estadual requer que, na sentença, seja fixado valor mínimo para reparação dos danos no total de R$ 20 milhões, sendo R$ 10 milhões por prejuízos materiais ao Estado e à Federação, corrigidos desde a data dos fatos, e outros R$ 10 milhões a título de danos morais coletivos.

