A Justiça negou o pedido de liberdade do ex-secretário de Finanças de Bonito, Edilberto Cruz Gonçalves, e do empreiteiro Genilton da Silva Moreira, investigados por envolvimento em um esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 4,3 milhões de recursos públicos. Ambos completam 12 dias presos nesta segunda-feira (20).
A decisão liminar foi proferida pelo desembargador Waldir Marques, relator do habeas corpus, e publicada no Diário da Justiça. O magistrado justificou a negativa ao afirmar que “não comprovou ser indispensável a medida cautelar”. O caso agora segue para parecer do Ministério Público e posterior análise dos demais desembargadores da 2ª Câmara Criminal.
Genilton, dono da Lopes & Lopes Construtora e Empreiteira, teve o segundo pedido de liberdade negado em menos de uma semana. Ele é apontado como peça-chave no esquema e já responde a três ações por corrupção em Bonito e Terenos. O empreiteiro foi preso novamente no último dia 8 de outubro, apenas quatro dias após ter deixado a prisão preventiva.
As investigações incluem as operações Velatus e Spotless, que apuram fraudes em Terenos, e Águas Turvas, que revelou desvio de R$ 4,3 milhões em Bonito.
Casal faturou mais de R$ 8,7 milhões em contratos públicos
Levantamento do Jornal Midiamax mostra que Genilton e sua esposa, Nádia Mendonça Lopes — atualmente em prisão domiciliar —, são sócios em duas construtoras registradas como microempresas, mas que faturaram mais de R$ 8,7 milhões em contratos públicos nos últimos anos.
Os contratos mais altos estão concentrados na prefeitura de Bonito, onde as empresas somam mais de R$ 5,2 milhões. Em Terenos, sede da empreiteira, o casal firmou contratos de aproximadamente R$ 2,3 milhões. Há ainda registros de contratos menores em Jardim e Deodápolis, também investigados.
Apesar da aparência de microempresa, o casal era considerado “imbatível” nas licitações, segundo apuração do Ministério Público.
De acordo com as investigações, servidores públicos participavam ativamente do esquema, repassando informações privilegiadas aos empresários para manipular resultados das licitações. Em troca, recebiam vantagens indevidas.
Os envolvidos são suspeitos de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
A operação Águas Turvas recebeu esse nome em referência à perda da transparência e limpidez, em contraste com a imagem de Bonito, cidade famosa por suas águas cristalinas, agora manchadas pelos desvios apurados.

