Soraya aplaude fala de Márcio e Caravina sobre lei dos banheiros e expõe contraste político
A disputa pelo eleitorado conservador em Mato Grosso do Sul ganhou um episódio inusitado. Após o Fato67 publicar um Reels com as declarações dos deputados Márcio Fernandes (PL) e Pedro Arlei Caravina (PSDB) sobre a chamada lei dos banheiros, a senadora Soraya Thronicke (PSB) reagiu à publicação com um emoji de aplausos.

A legislação aprovada em Campo Grande estabelece regras para o uso de banheiros públicos de acordo com o sexo biológico, restringindo o acesso de pessoas do sexo masculino biológico aos banheiros destinados ao público feminino. A medida foi defendida por setores conservadores, mas recebeu críticas de Márcio Fernandes e Caravina.
Márcio afirmou que não é favorável à lei “do jeito que ela está”. Caravina, por sua vez, declarou que restringir uma mulher trans de utilizar o banheiro feminino poderia ferir a Constituição.
O episódio chama atenção pelo contexto eleitoral. Márcio Fernandes deixou o MDB e ingressou no PL, partido identificado com o campo bolsonarista, e recebeu o apoio de Rafael Tavares, político que ganhou projeção justamente com críticas a nomes como Soraya Thronicke e Fábio Trad.

A ironia aumenta quando se observa a trajetória da própria Soraya. Em 2018, ela foi eleita para o Senado com forte identificação com Jair Bolsonaro e chegou a se apresentar como “a senadora do Bolsonaro”. Hoje, porém, está no PSB, declarou apoio à candidatura de Lula e disputa a reeleição ao Senado na mesma chapa de Fábio Trad (PT), candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul.
Nesse cenário, o aplauso de Soraya às declarações de Márcio e Caravina cria uma situação politicamente curiosa: enquanto Márcio tenta ampliar sua identificação com o eleitorado conservador por meio da aproximação com Rafael Tavares, uma das figuras que mais se posicionaram contra Soraya no campo da direita, é justamente Soraya quem reage positivamente à fala do deputado sobre uma pauta defendida por setores conservadores.
O gesto da senadora não significa, por si só, apoio eleitoral aos dois deputados. Mas acrescenta um elemento inesperado à disputa pelo voto conservador em Mato Grosso do Sul.

