A bioenergia se consolidou como um dos principais motores da expansão industrial de Mato Grosso do Sul nas últimas duas décadas. Entre 2006 e 2025, o setor registrou forte crescimento na geração de empregos, na produção e nas exportações, além de ampliar sua participação na matriz energética renovável.
Segundo dados do Observatório da Indústria da Fiems, o número de trabalhadores ligados à atividade passou de 8.276, em 2006, para 29.098 em 2025, um aumento de 252%. No mesmo período, o valor bruto da produção saltou de R$ 1,81 bilhão para R$ 23,1 bilhões.
Para o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, o desempenho mostra a evolução da indústria sul-mato-grossense. Além do açúcar, as usinas passaram a produzir volumes maiores de etanol e energia elétrica a partir de fontes renováveis, contribuindo para a diversificação da matriz energética.
A presença do setor também cresceu no comércio exterior. As exportações de açúcar passaram de US$ 65,9 milhões, em 2006, para US$ 782,8 milhões em 2025. O volume embarcado aumentou 863%, saindo de 196,6 mil toneladas para 1,89 milhão de toneladas.
Na produção, o avanço também foi expressivo. A fabricação de açúcar cresceu 530% no período analisado, chegando a 2,12 milhões de toneladas. Já a produção de etanol passou de 585,7 milhões para 4,93 bilhões de litros, alta de 741%.
Impacto na economia regional
O crescimento das usinas ultrapassa os números da produção industrial e influencia diretamente os municípios onde as unidades estão instaladas. De acordo com Ezequiel Resende, a atividade movimenta a economia local por meio da geração de empregos, pagamento de salários e contratação de serviços.
O setor continua em expansão. Em 2025, Mato Grosso do Sul tinha 22 usinas de bioenergia em operação e cerca de 30 mil empregos diretos, segundo dados divulgados pelo Governo do Estado. Na safra 2024/25, foram produzidos 4,2 bilhões de litros de etanol, com participação crescente do milho na produção.
Etanol de milho amplia diversificação
Uma das mudanças mais recentes na cadeia produtiva é o avanço do etanol produzido a partir do milho. A tecnologia passou a ganhar espaço no Estado e hoje representa uma parcela significativa da produção de biocombustíveis.
Na safra 2025/26, a expectativa divulgada pela Biosul era de aproximadamente 5 bilhões de litros de etanol, enquanto a produção de açúcar deveria chegar a 2,1 milhões de toneladas. O etanol de milho responderia por 44% do volume produzido no Estado.
A diversificação acompanha uma tendência nacional de expansão da produção de etanol de milho, especialmente no Centro-Oeste. Dados da Empresa de Pesquisa Energética mostram que Mato Grosso do Sul já concentrava parte das unidades brasileiras dedicadas a esse tipo de produção.
Com a combinação entre cana-de-açúcar, milho, produção de açúcar, biocombustíveis e bioeletricidade, a bioenergia passou a ocupar espaço estratégico na economia sul-mato-grossense. O avanço do setor também reforça a posição de Mato Grosso do Sul entre os estados brasileiros que investem na expansão de fontes renováveis de energia.

