No aniversário de criação de Mato Grosso do Sul, celebrado em 11 de outubro, os números do comércio internacional ajudam a dimensionar a importância econômica conquistada pelo estado desde sua separação de Mato Grosso, oficializada em 1977. Quase 49 anos depois, a produção sul-mato-grossense abastece mercados de diferentes continentes, com destaque para a soja, a celulose e a carne bovina.
Entre janeiro e setembro de 2026, Mato Grosso do Sul exportou aproximadamente US$ 9,21 bilhões, o equivalente a cerca de 23,52 milhões de toneladas de produtos. O valor representa crescimento de 12,53% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pelo Governo do Estado com base nas estatísticas do comércio exterior.
No mesmo intervalo, as importações somaram cerca de US$ 1,79 bilhão. Com isso, o estado registrou superávit comercial de aproximadamente US$ 7,42 bilhões, resultado da diferença entre o valor das mercadorias vendidas ao exterior e o das compras realizadas no mercado internacional. <Cite refs={[“turn253942search0″,”turn253942search5”]}/>
Soja, celulose e carne bovina lideram as exportações
A pauta exportadora de Mato Grosso do Sul é fortemente ligada ao agronegócio e à indústria de transformação. Nos nove primeiros meses de 2026, três produtos concentraram a maior parte das receitas obtidas com as vendas externas.
A soja liderou a lista, respondendo por 31,08% do valor exportado, com aproximadamente US$ 2,86 bilhões. Na sequência aparece a celulose, responsável por 26,42% das exportações, cerca de US$ 2,43 bilhões. A carne bovina ocupou a terceira posição, com participação de 17,82%, o equivalente a aproximadamente US$ 1,64 bilhão.
Também tiveram participação relevante o farelo de soja, as carnes de aves e os açúcares e melaços. Os números demonstram a importância das cadeias agropecuárias e industriais para a geração de receitas em moeda estrangeira no estado. <Cite refs={[“turn253942search0″,”turn253942search2”]}/>
China compra quase metade do que MS exporta
O principal parceiro comercial de Mato Grosso do Sul é a China. Entre janeiro e setembro de 2026, o país asiático recebeu 46,34% das exportações estaduais, o equivalente a aproximadamente US$ 4,27 bilhões.
Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 6,46% das vendas externas, cerca de US$ 595 milhões. Em terceiro lugar estão os Países Baixos, conhecidos também como Holanda, que responderam por 4,81% das exportações, aproximadamente US$ 443 milhões.
A concentração das vendas no mercado chinês evidencia a relevância da demanda asiática para a economia estadual e, ao mesmo tempo, mostra como o desempenho das exportações de Mato Grosso do Sul está conectado às condições do comércio internacional. <Cite refs={[“turn253942search0″,”turn253942search5”]}/>
O que Mato Grosso do Sul compra do exterior?
Além de vender produtos agropecuários e industriais, o estado importa insumos e equipamentos necessários à atividade econômica. Entre os itens de destaque nas importações de 2025 estavam o gás natural, máquinas utilizadas na indústria de papel e celulose e cobre.
O gás natural representou 29,78% das importações estaduais naquele ano, enquanto máquinas para a indústria de papel e celulose responderam por 8,40% e o cobre, por 7,51%. Esses percentuais são referentes ao balanço de 2025 e não devem ser confundidos com a composição específica das importações de 2026. <Cite refs={[“turn253942search7”]}/>
A relação comercial mostra que Mato Grosso do Sul não depende apenas da exportação de matérias-primas e produtos processados: também precisa adquirir do exterior recursos utilizados na indústria, na infraestrutura e na produção.
Três Lagoas se destaca na economia exportadora
A força do comércio exterior também aparece na distribuição das exportações entre os municípios. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, Três Lagoas liderou o ranking estadual, com 18,15% do valor exportado.
Dourados respondeu por 11,22%, seguida de Ribas do Rio Pardo, com 11,05%. A presença desses municípios entre os principais exportadores evidencia a importância das atividades industriais e agropecuárias para a economia regional. <Cite refs={[“turn253942search0”]}/>
Rota Bioceânica amplia perspectivas de integração
A posição geográfica de Mato Grosso do Sul, na fronteira com Paraguai e Bolívia, também coloca o estado em uma localização estratégica para o comércio regional. Nesse contexto, a Rota Bioceânica representa uma oportunidade de ampliar a integração logística entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, conectando regiões produtoras aos mercados e portos do Oceano Pacífico.
A infraestrutura logística será um dos fatores importantes para a competitividade das exportações, especialmente para produtos que dependem do transporte em grande escala. A dimensão dos ganhos futuros, entretanto, dependerá da conclusão das obras, da operação dos corredores internacionais e das condições efetivas de transporte e aduana.
Quase cinco décadas após a divisão, MS amplia sua presença global
O aniversário de Mato Grosso do Sul também é uma oportunidade para observar as transformações econômicas ocorridas desde a criação do estado. Em 2026, o volume exportado e o saldo positivo da balança comercial mostram a dimensão da participação sul-mato-grossense no comércio internacional.
O desafio para os próximos anos será ampliar a competitividade, agregar valor à produção, diversificar os mercados compradores e fortalecer a infraestrutura de transporte. A trajetória de Mato Grosso do Sul, que começou com a reorganização territorial do Centro-Oeste, segue ligada à capacidade de transformar sua produção em oportunidades econômicas dentro e fora do Brasil.

