Quase cinco décadas após a divisão territorial que deu origem a Mato Grosso do Sul, a soja e a pecuária bovina continuam entre os principais pilares da economia estadual. Com produção agrícola em larga escala, um rebanho milionário e uma indústria frigorífica integrada ao mercado internacional, o estado mantém o agronegócio no centro de sua atividade econômica.
Os números ajudam a dimensionar essa importância. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Mato Grosso do Sul possuía 18,74 milhões de bovinos em 2024, enquanto a soja movimentou aproximadamente R$ 25,08 bilhões em valor de produção em 2025.
Soja: milhões de toneladas e bilhões em valor de produção
A soja é uma das principais culturas agrícolas de Mato Grosso do Sul e ocupa a primeira posição estadual em valor de produção agrícola. Na safra 2025/2026, uma estimativa divulgada em outubro de 2025 apontava uma produção de aproximadamente 13,55 milhões de toneladas, cultivadas em cerca de 4,26 milhões de hectares.
O resultado coloca a oleaginosa entre as atividades mais importantes para a geração de renda no campo, o abastecimento da indústria e as exportações estaduais. Além da venda dos grãos, a cadeia da soja movimenta transportadoras, armazéns, cooperativas, fornecedores de máquinas, empresas de insumos e unidades de processamento.
A produção também está ligada à cadeia de proteínas animais. O farelo de soja é utilizado na fabricação de rações para aves, suínos e bovinos, conectando a agricultura à produção de carne.
Pecuária bovina mantém tradição e escala industrial
A criação de gado faz parte da história econômica de Mato Grosso do Sul e continua representando uma atividade de grande dimensão. Segundo o IBGE, o estado contabilizou 18.744.820 bovinos em 2024.
Além da criação de animais, a cadeia envolve frigoríficos, transporte, processamento de carne, curtumes e atividades de comercialização. O setor também participa do comércio exterior, com a carne bovina entre os produtos de maior peso na pauta exportadora estadual.
Em 2025, o programa estadual Precoce-MS registrou o abate de 1.494.490 animais nos estabelecimentos participantes. Desse total, 1.222.456 foram classificados pelo programa, que busca incentivar melhorias nos padrões de produção e qualidade da carne. Os números são específicos do programa e não representam o total de bovinos abatidos no estado.
No cenário nacional, o IBGE registrou 42,94 milhões de bovinos abatidos em 2025, alta de 8,2% em relação a 2024. Mato Grosso do Sul esteve entre os estados que contribuíram para o crescimento, com aumento de aproximadamente 175 mil cabeças no comparativo anual.
Produção conectada ao mercado internacional
A importância da soja e da carne bovina ultrapassa as fronteiras estaduais. Os dois segmentos integram a pauta exportadora de Mato Grosso do Sul e conectam produtores e indústrias locais a compradores estrangeiros.
Na soja, a demanda internacional por grãos e derivados influencia preços, decisões de plantio e investimentos em armazenagem e transporte. Na pecuária, o acesso aos mercados externos depende, entre outros fatores, das exigências sanitárias, da qualidade do produto e das condições comerciais.
A China se destaca como um dos principais destinos das exportações sul-mato-grossenses. O desempenho dos embarques, portanto, também depende das condições econômicas internacionais, da demanda dos compradores e da competitividade brasileira.
O desafio de agregar valor à produção
Apesar da força das duas cadeias, a expansão do agronegócio envolve desafios relacionados à logística, aos custos de produção, à disponibilidade de infraestrutura, à preservação ambiental e à diversificação industrial.
O processamento local de grãos e carnes pode ampliar a geração de empregos e renda, enquanto investimentos em transporte e armazenagem ajudam a reduzir custos e facilitar o escoamento da produção.
Ao completar 49 anos de criação, Mato Grosso do Sul tem na soja e na carne bovina dois exemplos de como atividades tradicionais continuam influenciando sua economia. A capacidade de produzir em larga escala, atender às exigências dos mercados e ampliar o valor agregado será determinante para os próximos capítulos dessa trajetória.

