A intervenção decretada pela prefeita Adriane Lopes no transporte coletivo de Campo Grande já começa a produzir seus primeiros reflexos concretos. Trinta e cinco dias após o município assumir temporariamente a administração do Consórcio Guaicurus, a Prefeitura foi oficialmente comunicada sobre a venda das empresas que compõem a concessionária para a HP Mobilidade, grupo empresarial que atua no transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia.
Embora tenha classificado a negociação como positiva, Adriane deixou claro que a troca de proprietários, por si só, não será suficiente para encerrar a intervenção nem para autorizar a transferência imediata da operação.
Segundo a prefeita, qualquer mudança dependerá da apresentação de um plano consistente de investimentos que contemple a renovação da frota, instalação de ônibus com ar-condicionado, reforma dos terminais e melhorias efetivas na qualidade do serviço prestado aos passageiros.
“Recebi esse comunicado. Vejo com bons olhos. Nós estamos há 35 dias em uma intervenção historicamente esperada. Em 35 dias de intervenção, estamos dando mais um passo para um avanço significativo do transporte público”, afirmou.
A administração municipal informou que a HP Mobilidade já solicitou uma reunião para apresentar seu projeto de atuação em Campo Grande. Paralelamente, a Prefeitura também requisitou um cronograma detalhado dos investimentos previstos antes de analisar a possibilidade de autorizar a operação.
“Nós vamos recepcionar essa empresa na Capital, desde que seja feita uma proposta de mudança do transporte público de Campo Grande”, declarou.
Intervenção muda cenário do transporte
A negociação ocorre em meio ao processo de intervenção iniciado em 16 de junho, com prazo inicial de 180 dias.
Durante esse período, a equipe interventora permanece responsável pela administração operacional, financeira, jurídica e administrativa do sistema enquanto realiza auditorias, levantamentos técnicos e análises sobre o cumprimento do contrato de concessão.
Para Adriane Lopes, a intervenção foi determinante para abrir caminho às mudanças que agora começam a surgir.
“O transporte público de Campo Grande há 20 anos precisa ser mudado. Acredito que, com a coragem que nós tivemos de propor a intervenção, hoje estamos dando mais um passo nessa pauta.”
A prefeita também reforçou que uma simples mudança societária não resolverá os problemas históricos enfrentados pelos usuários.
“Não adianta a empresa trocar de dono, mas não fornecer um serviço de qualidade. O papel do poder público é fiscalizar, convidar a população para acompanhar esse processo e chamar os órgãos de controle para vir conosco nesse desafio.”
Segundo ela, não haverá qualquer transição durante o período da intervenção sem que a futura controladora apresente um projeto efetivo de transformação.
“Não tem como fazer uma transição dentro de uma intervenção sem uma proposta de mudança do transporte.”
Exigências da Prefeitura
Entre as principais condições estabelecidas pela administração municipal para aprovar a mudança no controle da concessionária estão:
• Renovação da frota de ônibus.
• Implantação de veículos com ar-condicionado.
• Reforma dos terminais de integração.
• Melhoria da qualidade do serviço prestado.
• Cumprimento integral das obrigações previstas no contrato de concessão.
Enquanto essas condições não forem atendidas, a Prefeitura manterá a intervenção e continuará administrando o sistema.
Problemas identificados
A intervenção foi decretada após um procedimento administrativo instaurado por determinação da Justiça, que analisou o cumprimento do contrato firmado em 2012.
Uma comissão especial da Prefeitura concluiu que havia fundamentos para a adoção da medida após identificar diversas irregularidades na operação do sistema.
Entre os principais problemas apontados estão:
• 21.910 autuações aplicadas entre 2021 e 2025.
• 12.279 infrações por descumprimento de horários.
• 3.444 viagens que deixaram de ser realizadas.
• Frota com idade média de 7,6 anos.
• 98 ônibus com mais de dez anos de circulação.
• Veículos parados por falta de manutenção.
• Falhas nas inspeções obrigatórias.
• Ausência dos seguros exigidos contratualmente durante quase nove anos.
Nos primeiros levantamentos realizados pela equipe interventora também foram identificados problemas financeiros, dívidas tributárias e dificuldades administrativas.
Apesar das conclusões da comissão, o Consórcio Guaicurus sustenta que parte das dificuldades decorre do desequilíbrio econômico-financeiro da concessão e de valores que afirma ter a receber do município.
Intervenção permanece
Mesmo com a negociação envolvendo a venda do Consórcio, a intervenção segue normalmente.
A Prefeitura informou que não haverá mudanças imediatas nas linhas, horários, tarifas ou operação do sistema.
Ao término dos 180 dias, o município poderá decidir entre devolver a gestão ao consórcio, aplicar novas sanções ou iniciar o processo de extinção da concessão, dependendo das conclusões técnicas produzidas durante a intervenção.
Para a administração municipal, a prioridade continua sendo assegurar que qualquer mudança resulte em benefícios concretos para os milhares de passageiros que utilizam diariamente o transporte coletivo da Capital.
Sugestões de manchetes
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