As tradicionais barracas instaladas às margens da BR-163, no distrito de Anhanduí, em Campo Grande, passaram a contar com proteção como patrimônio cultural do município. A medida tem origem em projeto apresentado pelo vereador André Salineiro (PL) e busca preservar o comércio tradicional mantido há décadas na região.
A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal em agosto e prevê o tombamento das barracas e sua inscrição no Livro de Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico de Campo Grande. O reconhecimento considera não apenas as estruturas físicas, mas também o conjunto cultural e paisagístico formado pela ocupação tradicional.
A iniciativa surgiu após comerciantes demonstrarem preocupação com possíveis impactos da duplicação da BR-163. As barracas são utilizadas por famílias que comercializam produtos como doces, conservas, pimentas e artesanatos, tornando o local uma referência econômica e cultural de Anhanduí. Reportagem realizada em fevereiro apontou a existência de 43 barracas e o temor dos comerciantes de perderem sua principal fonte de renda.
Com o tombamento, intervenções como reformas, ampliações, alterações estruturais ou eventual remoção das estruturas ficam sujeitas à autorização prévia do órgão municipal competente, além do cumprimento das normas culturais, urbanísticas e ambientais.
A proteção ocorre em meio às discussões sobre a duplicação da BR-163. A Motiva Pantanal, concessionária responsável pelo trecho da rodovia em Mato Grosso do Sul, informou anteriormente que realizava estudos técnicos e que ainda não havia definição sobre o projeto que poderia afetar as estruturas comerciais.
Para Salineiro, a medida representa uma forma de preservar a atividade econômica e a memória da comunidade. Segundo o vereador, o objetivo é evitar que uma tradição construída ao longo dos anos seja descaracterizada ou retirada sem a participação do poder público municipal.
O tombamento, portanto, reforça o reconhecimento das barracas como parte da história de Anhanduí, ao mesmo tempo em que mantém a necessidade de conciliar a preservação cultural com eventuais intervenções futuras na rodovia.

