O ex-deputado estadual João César Mato Grosso deve retornar à Assembleia Legislativa após a condenação do ex-deputado federal Trutis e da ex-esposa dele Raquelle Trutis, por irregularidades nas eleições de 2022. A mudança ocorrerá após a recontagem dos votos determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).
O presidente do TRE-MS, desembargador Carlos Eduardo Contar, determinou a recontagem dos votos para os cargos de deputado estadual e deputado federal no Estado. No caso da Câmara Federal, a composição permanece inalterada. Já na Assembleia Legislativa, a nova contagem deve provocar alteração na distribuição das vagas de sobra.
Com a exclusão dos votos de Raquelle Trutis, o Partido Liberal (PL) deixa de atingir o quociente necessário para manter uma das cadeiras conquistadas nas sobras eleitorais. O partido havia somado 132.945 votos para deputado estadual, mas, sem os votos da ex-candidata, cai para 122.163.
A vaga passa, então, para o PSDB, que totalizou 293.036 votos e garante a sétima cadeira na Assembleia. Com isso, o deputado estadual Neno Razuk, que recebeu 17.023 votos, perde o mandato, abrindo espaço para o retorno de João César Mato Grosso, que obteve 11.650 votos nas eleições de 2022.
Atualmente, Neno Razuk é pré-candidato a deputado federal pelo PL. Já João César Mato Grosso ocupa o cargo de diretor-adjunto do Detran-MS.
A alteração será oficializada após a conclusão da recontagem dos votos e comunicada à Assembleia Legislativa. O processo já transitou em julgado, o que significa que não há mais possibilidade de recurso por parte de Trutis e Raquelle.
Condenação
A decisão que levou à recontagem dos votos ocorreu após a condenação definitiva do ex-casal pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em março deste ano, os ministros Carmen Lúcia, Nunes Marques, André Mendonça, Ricardo Villas Bôas Cueva, Estela Aranha e Floriano de Azevedo Marques mantiveram a condenação por lavagem de dinheiro nas eleições de 2022.
Segundo o processo, Tio Trutis e Raquelle Trutis foram responsabilizados pela lavagem de R$ 776 mil em recursos públicos de campanha. Com atualização monetária, o valor devido ultrapassa R$ 1 milhão.
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul identificou que o então casal teria utilizado duas empresas para dissimular movimentações ilícitas de recursos eleitorais. Conforme o entendimento dos desembargadores, os candidatos realizaram pagamentos cruzados para simular prestação de serviços e mascarar o desvio de verbas públicas.
Durante o processo, a Justiça Eleitoral apontou contradições em depoimentos, ausência de comprovação dos serviços supostamente executados, além de endereços inexistentes e outras irregularidades consideradas graves.
Além da condenação financeira, Trutis e Raquelle também podem ficar inelegíveis por oito anos.

