A ministra do Planejamento, Simone Tebet, anunciou nesta quinta-feira (12), em Campo Grande, que pretende disputar uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições de 2026. A decisão representa uma mudança em sua trajetória política, construída ao longo de décadas em Mato Grosso do Sul.
Filha do ex-senador Ramez Tebet, a ministra construiu sua carreira eleitoral no Estado, onde foi prefeita de Três Lagoas, deputada estadual, vice-governadora e senadora. Ao anunciar a mudança de domicílio eleitoral, Tebet afirmou que fez questão de comunicar a decisão em Mato Grosso do Sul como forma de reconhecimento ao eleitorado local.
Segundo ela, o gesto simboliza gratidão ao Estado onde nasceu e iniciou sua vida pública. A ministra destacou que mantém vínculos familiares e pessoais com Mato Grosso do Sul e que o anúncio na Capital foi uma forma de respeito aos eleitores que acompanharam sua trajetória política.
De acordo com Tebet, a possibilidade de disputar a eleição por São Paulo vinha sendo discutida há meses. Ela afirmou que foi incentivada a assumir um papel político de maior alcance nacional e citou o desempenho eleitoral obtido no estado paulista durante a eleição presidencial de 2022.
Na ocasião, a ministra ressaltou que recebeu mais de um terço de seus votos em São Paulo, o que, segundo ela, demonstra receptividade do eleitorado às suas propostas e ideias.
A decisão também envolveu articulações políticas em Brasília. Tebet revelou que tratou do assunto diretamente com o presidente Lula com o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Segundo a ministra, o tema foi discutido inicialmente durante uma conversa informal com Lula em janeiro, durante viagem ao Panamá, e voltou à pauta em reunião reservada no início de março. De acordo com Tebet, o presidente manifestou o interesse de que ela disputasse o Senado por São Paulo no cenário eleitoral de 2026.
Antes de confirmar a decisão, a ministra afirmou que precisava resolver uma questão pessoal. A mãe dela, Fairte Nassar Tebet, ainda esperava que a filha continuasse disputando cargos em Mato Grosso do Sul.
Após conversar com a família, Tebet disse ter decidido aceitar o convite. Segundo ela, a aprovação da mãe foi determinante para que aceitasse a nova missão política.
A ministra também ressaltou que mantém vínculos com São Paulo, estado onde realizou o mestrado e onde, segundo ela, consolidou parte de sua projeção política nacional. Além disso, afirmou que costuma visitar o estado com frequência por causa das filhas.
Apesar do anúncio da futura candidatura, Tebet ainda não definiu se permanecerá no MDB. Nos bastidores de Brasília, o destino mais citado é o Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda ligada ao vice-presidente Geraldo Alckmin.
De acordo com a ministra, a decisão sobre a filiação partidária deve ser tomada até o início de abril.
Tebet também informou que deixará o cargo no governo federal para disputar as eleições. Pela legislação eleitoral, o prazo final para desincompatibilização de ministros que pretendem concorrer é 4 de abril. Ainda assim, ela afirmou que pretende antecipar a saída do Ministério do Planejamento para facilitar a transição na pasta.

