O Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29), por 42 votos a 34, a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão ocorre após cinco meses de impasse envolvendo o nome indicado pelo governo do presidente Lula.
A rejeição foi interpretada por analistas como um movimento de afirmação institucional do Legislativo. Para Luana Ruiz, a decisão vai além do cumprimento de uma prerrogativa constitucional.
“O Senado fez mais do que exercer uma prerrogativa, ele deu um recado claro ao Brasil. A indicação de Jorge Messias não é uma indicação técnica isolada, mas uma escolha profundamente política”, afirmou.
Segundo Ruiz, o fato de Messias ocupar o cargo de Advogado-Geral da União e integrar diretamente o governo reforça a percepção de alinhamento político. Ela avalia que o STF não deve ser visto como uma extensão do Executivo ou como espaço para acomodação de aliados.
“Quando o Senado rejeita um nome com esse grau de vinculação política, o gesto não é de confronto, mas de proteção da independência entre os Poderes”, disse.
Luana também destacou o cenário de tensão institucional no país e afirmou que a preservação dos limites entre os Poderes é essencial para o funcionamento da democracia. “O Brasil já vive um momento de tensão institucional suficiente para não permitir que a mais alta Corte do país seja percebida como alinhada a qualquer governo”, concluiu.

