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    Com alerta de novo El Niño, MS pode enfrentar calor extremo, seca e aumento de incêndios

    Fenômeno climático tem mais de 80% de chance de se formar ainda em 2026 e preocupa especialistas pelos impactos registrados nos últimos anos

    Os sul-mato-grossenses que enfrentaram o calor intenso de 2023 sabem bem os efeitos que o El Niño pode provocar. Naquele ano, diversas cidades registraram temperaturas próximas ou superiores aos 40°C, em meio a sucessivas ondas de calor que afetaram a saúde da população, ampliaram o risco de incêndios e causaram prejuízos ao setor agropecuário.

    Agora, a possibilidade de um novo episódio do fenômeno climático acende um sinal de alerta em Mato Grosso do Sul. Embora ainda não tenha sido oficialmente declarado, o El Niño já está sendo monitorado por órgãos meteorológicos internacionais devido às condições favoráveis para sua formação ao longo deste ano.

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mantém atualmente o status de “Alerta El Niño”, indicando que o Oceano Pacífico Equatorial apresenta sinais crescentes de aquecimento, condição essencial para o desenvolvimento do fenômeno.

    De acordo com a mais recente projeção da NOAA, divulgada em 16 de maio, existe 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho de 2026. A previsão aponta ainda que a chance de o fenômeno permanecer ativo entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027 chega a 96%, justamente durante o verão no Hemisfério Sul.

    Caso as previsões se confirmem, Mato Grosso do Sul poderá enfrentar um período marcado por temperaturas acima da média durante o inverno, a primavera e o verão.

    Histórico preocupa especialistas

    Segundo análises do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), o último episódio de El Niño com impactos significativos no Estado ocorreu entre 2023 e 2024.

    Considerado forte em escala global, o fenômeno provocou aumento expressivo das temperaturas, períodos prolongados de estiagem e agravamento do risco de incêndios florestais, especialmente no Pantanal.

    O cenário atual preocupa os meteorologistas porque os modelos climáticos indicam alta probabilidade de que o novo evento evolua para uma intensidade moderada ou forte, podendo até atingir a classificação de “muito forte” durante o segundo semestre. A expectativa é de intensificação gradual ao longo do inverno e da primavera.

    Calor, seca e queimadas

    Os principais impactos esperados para Mato Grosso do Sul são semelhantes aos registrados nos últimos episódios do fenômeno.

    Entre os efeitos previstos estão o aumento das temperaturas médias, maior frequência de ondas de calor, irregularidade das chuvas, ocorrência de veranicos durante a estação chuvosa, prolongamento dos períodos secos e elevação do risco de incêndios florestais.

    As áreas mais vulneráveis tendem a ser o Pantanal e regiões do oeste, sudoeste e norte do Estado, onde a combinação entre calor intenso, baixa umidade do ar e redução das precipitações cria condições favoráveis para queimadas e déficit hídrico.

    Além dos impactos ambientais, o fenômeno também pode trazer consequências diretas para a saúde pública e para a economia estadual.

    Na área da saúde, especialistas alertam para o aumento dos casos de desidratação, problemas respiratórios, agravamento de doenças cardiovasculares e desconforto térmico.

    Já na agropecuária, os efeitos incluem estresse hídrico nas lavouras, redução da produtividade agrícola, prejuízos ao desenvolvimento das culturas, degradação das pastagens e aumento do estresse térmico nos rebanhos.

    O que é o El Niño

    O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global e modifica os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.

    Geralmente, o fenômeno tem duração entre nove e 18 meses e pode começar de forma gradual, ganhando intensidade ao longo do tempo.

    A identificação do El Niño é feita por meio de indicadores que monitoram as condições do oceano e da atmosfera. Um dos principais é o Índice Oceânico Niño (ONI), que mede a temperatura da superfície do mar na região conhecida como Niño 3.4, no Pacífico Equatorial.

    Quando a temperatura permanece pelo menos 0,5°C acima da média por cinco períodos consecutivos de três meses, o fenômeno é caracterizado como El Niño. Já temperaturas 0,5°C abaixo da média indicam a ocorrência da La Niña.

    Outro indicador utilizado é o Índice de Oscilação Sul (SOI), que compara a pressão atmosférica entre o Taiti, na Polinésia Francesa, e Darwin, no norte da Austrália.

    Durante episódios de El Niño, a pressão tende a ficar mais baixa no Taiti e mais elevada em Darwin, resultando em um SOI negativo. Na La Niña ocorre o inverso, com pressão mais alta no Taiti e mais baixa em Darwin, gerando um SOI positivo.

    Com a possibilidade crescente de um novo episódio do fenômeno, autoridades e especialistas acompanham os próximos meses com atenção, diante do risco de repetição dos eventos extremos que marcaram Mato Grosso do Sul nos últimos anos.

    Redação

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