A política brasileira assiste ao surgimento de uma nova geração de líderes que se apresenta como diferente da velha classe política, mas que, na prática, muitas vezes reproduz os mesmos vícios que tanto critica.
Impulsionados pelas redes sociais, esses políticos construíram suas carreiras atacando privilégios, defendendo a transparência e prometendo uma nova forma de fazer política. No entanto, quando são alvo de questionamentos sobre seus atos, gastos ou decisões administrativas, a reação costuma ser a mesma: ataques à imprensa, tentativas de desqualificar críticos e a criação de narrativas para se colocarem como vítimas.
Não aceitam que viagens internacionais custeadas com recursos públicos sejam noticiadas. Não toleram que despesas milionárias com eventos e shows sejam questionadas. Revoltam-se quando processos judiciais ou investigações envolvendo seus nomes ganham espaço nos veículos de comunicação.
A estratégia é quase sempre semelhante. Correm para as redes sociais, gravam vídeos emocionados, levantam bandeiras religiosas, afirmam ser perseguidos por adversários poderosos e tentam transformar qualquer cobrança em um suposto ataque político. Curiosamente, muitos evitam até mesmo se definir como políticos, embora ocupem cargos públicos e vivam da atividade política.
O problema não está apenas na crítica à imprensa ou aos opositores. O verdadeiro problema surge quando aqueles que chegaram ao poder prometendo renovação passam a demonstrar intolerância à fiscalização e à liberdade de expressão. A democracia exige prestação de contas, transparência e disposição para responder aos questionamentos da sociedade.
Quem administra recursos públicos deve compreender que está sujeito ao escrutínio permanente. Cobrança não é perseguição. Fiscalização não é ataque. Jornalismo não é inimigo.
A nova política não pode se transformar em uma versão ainda mais vaidosa e sensível da velha política. Quando governantes passam a enxergar críticos como adversários a serem silenciados, deixam claro que o compromisso não é com a transparência, mas com a preservação da própria imagem.

