O deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP-MS) reúne experiência de décadas na área médica, atuação hospitalar e participação em debates sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), características que podem pesar nas discussões sobre a composição do segundo mandato do governador Eduardo Riedel (PP) em Mato Grosso do Sul.
Riedel foi reeleito no primeiro turno das eleições de 2026, com 914.323 votos, o equivalente a 67,07% dos votos válidos. A vitória também manteve o Progressistas no comando do governo estadual. No partido, a senadora Tereza Cristina exerce liderança em Mato Grosso do Sul, enquanto Ovando ocupa a vice-presidência da legenda no Estado.
Médico formado em 1975, Ovando construiu boa parte da carreira na Santa Casa de Campo Grande. Na instituição, participou da formação de médicos e foi coordenador e fundador da Residência de Clínica Médica, além de atuar como chefe do serviço e coordenador da Comissão de Residência Médica. Também foi professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
A relação com a Santa Casa começou ainda antes da formação profissional. Em manifestação divulgada recentemente, o parlamentar afirmou que chegou ao hospital em 1972, quando ainda era estudante de Medicina. Segundo informações divulgadas pelo próprio mandato, ele também trabalhou na instituição e permaneceu posteriormente como voluntário.

Na Câmara dos Deputados, Ovando apresentou propostas relacionadas ao acesso à saúde. O Projeto de Lei 4.502/2019 prevê mudanças nas regras de credenciamento de médicos para atendimento complementar pelo SUS, com o objetivo de facilitar a participação desses profissionais na rede pública. A proposta ainda está em tramitação.
Outro projeto de autoria do deputado, o PL 1.001/2023, propõe permitir a dedução de despesas com medicamentos na declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física. A matéria está apensada a outro projeto em tramitação na Câmara.
A eventual escolha de Ovando para a Secretaria de Estado de Saúde, no entanto, dependerá de decisão do governador. Caso seu nome entre na avaliação, a experiência acumulada em hospitais, na formação médica e no Congresso seria um dos pontos a serem considerados, assim como sua atuação política dentro do Progressistas.
A discussão ocorre ainda em um momento delicado para a saúde hospitalar de Mato Grosso do Sul. Em setembro, a Operação Antidotum, conduzida pelo Ministério Público Estadual por meio do Gecoc e do Gaeco, investigou suspeitas de fraudes e desvios em contratos da Santa Casa de Campo Grande. Segundo o MPMS, os prejuízos identificados até aquele momento ultrapassavam R$ 4,9 milhões.
Após a operação, Ovando defendeu a realização de auditoria nas verbas parlamentares destinadas à Santa Casa, incluindo recursos indicados por seu próprio mandato. Segundo levantamento divulgado pelo deputado, mais de R$ 7,1 milhões foram destinados diretamente à instituição. A defesa de fiscalização dos recursos reforça, no discurso do parlamentar, a necessidade de acompanhar a aplicação das verbas públicas e os resultados entregues à população.
Além da questão técnica, a composição política do governo também pode influenciar a escolha do próximo secretariado. O Progressistas ampliou sua presença no cenário estadual após a reeleição de Riedel, enquanto Tereza Cristina mantém protagonismo no partido e no Senado.
Nesse cenário, Ovando reúne três características que podem colocá-lo no radar para a área da Saúde: experiência médica, conhecimento da estrutura hospitalar e atuação política. A decisão final, porém, permanece nas mãos de Riedel, que deverá definir os nomes que integrarão sua equipe no segundo mandato.

