A sessão da CPI do Transporte Público desta quarta-feira (18) na Câmara Municipal de Campo Grande foi marcada por cobranças incisivas e dados alarmantes. A vereadora Ana Portela (PL), relatora da comissão, trouxe à tona um salto milionário nas despesas não operacionais do Consórcio Guaicurus e cobrou explicações do diretor-presidente da empresa, Themis Oliveira — que, diante da gravidade das informações, não conseguiu esclarecer o motivo da disparada nos gastos.
De acordo com dados apresentados por Ana Portela, entre os anos de 2016 e 2020, essas despesas se mantiveram em patamares baixos. Em 2016, o valor registrado foi de R$ 84 mil; em 2019, caiu para R$ 42 mil. No entanto, em 2021, o montante saltou para R$ 10,7 milhões, um crescimento de mais de 4.000% sem justificativa clara.
“É alarmante que o diretor-presidente do Consórcio não saiba explicar para esta comissão o que são essas despesas ou o que motivou esse aumento absurdo. Isso causa um estranhamento e reforça a suspeita de que algo está errado”, afirmou a vereadora.
Além da inconsistência nas despesas não operacionais, Portela destacou o crescimento dos custos de manutenção da frota, que também levantam dúvidas. Entre 2016 e 2019, os custos representavam cerca de 73% da receita vinda das tarifas, em um período no qual a empresa ainda registrava lucros. Já a partir de 2020, quando começaram os repasses públicos referentes à tarifa subsidiada, esse percentual passou a ultrapassar os 80%, atingindo 87,4% da receita — com uma frota visivelmente sucateada.
“Mesmo com o repasse de dinheiro público, o serviço não melhora. A maior parte da receita está sendo usada para manter ônibus velhos e fora da idade média prevista em contrato. Isso impacta diretamente a qualidade do serviço entregue à população”, completou Portela.
A relatora afirmou que a CPI continuará aprofundando a apuração sobre os gastos do consórcio. A comissão aguarda o envio de documentos por parte da empresa que possam esclarecer tanto o aumento inesperado nas despesas quanto a real situação da manutenção da frota.
Enquanto isso, a população de Campo Grande segue enfrentando ônibus lotados, atrasos e veículos em más condições, sustentando, com impostos e tarifas, uma matemática que até o próprio diretor do Consórcio não consegue explicar.

