Vídeo de Bolsonaro sobre escolha de candidatos ao Senado volta a circular e contrasta com críticas de Pollon às pesquisas eleitorais
Um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro, gravado em janeiro de 2025, voltou a circular em grupos de WhatsApp e redes sociais em Mato Grosso do Sul em meio ao debate interno do Partido Liberal sobre a disputa pelas vagas ao Senado Federal nas eleições de 2026.
A gravação resgata uma entrevista concedida por Bolsonaro ao programa AuriVerde, apresentado por Alexandre Pittoli no YouTube em 22 de janeiro de 2025. Na ocasião, o ex-presidente explicou os critérios que pretendia adotar para a definição dos candidatos do PL ao Senado nos estados.
Questionado sobre a estratégia do partido para a disputa senatorial, Bolsonaro afirmou que havia um entendimento prévio com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, para que cada estado tivesse apenas um candidato oficial do partido com o número 222.
Durante a entrevista, Bolsonaro declarou que as escolhas não seriam feitas por amizade ou preferência pessoal. Segundo ele, onde houvesse dúvidas entre nomes competitivos, pesquisas eleitorais poderiam ser utilizadas para auxiliar na decisão.
“Não vai ter peixada, não vai ter cheguei na frente, sou amiguinho. Onde tivermos dúvida vamos fazer uma pesquisa no estado”, afirmou o ex-presidente ao citar exemplos de estados que possuíam mais de um nome viável para a disputa.
O reaparecimento do vídeo ocorre em um momento de tensão dentro do campo bolsonarista em Mato Grosso do Sul. Recentemente, o deputado federal Marcos Pollon publicou um vídeo em seu perfil no Instagram questionando a metodologia de pesquisas eleitorais que avaliam possíveis candidatos do PL ao Senado.
Os levantamentos têm testado nomes como o ex-governador Reinaldo Azambuja, o ex-candidato ao governo Capitão Contar e o próprio Marcos Pollon.
Na publicação, Pollon criticou a credibilidade dos institutos de pesquisa e argumentou que uma das vagas destinadas ao projeto político bolsonarista deveria ser definida diretamente pelo ex-presidente.
“Bolsonarista, assim como o presidente Bolsonaro, sabe disso, e nós entendemos e sabemos que uma das vagas pertence a Jair Bolsonaro, não pertence a instituto de pesquisa”, afirmou o parlamentar.
A declaração chamou atenção por contrastar com a fala de Bolsonaro em 2025, quando o ex-presidente admitiu publicamente a possibilidade de utilizar pesquisas eleitorais como instrumento para embasar decisões em estados onde houvesse mais de um pré-candidato competitivo.
Pesquisa mostra Pollon atrás de concorrentes do próprio partido
O debate ganhou força após a divulgação da mais recente pesquisa do Instituto Opinião, encomendada pela Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS).
No primeiro cenário testado, com Reinaldo Azambuja, Capitão Contar e Marcos Pollon concorrendo simultaneamente, Azambuja aparece com 38,7% das intenções de voto, seguido por Contar com 33,7%. Nelsinho Trad registra 26,1%, Soraya Thronicke 16,6%, Vander Loubet 14,3% e Marcos Pollon 7,7%.
Nesse cenário, os dois nomes do PL ocupam as primeiras posições da disputa.
No segundo cenário, sem a presença de Pollon, Reinaldo Azambuja sobe para 43,4% e Capitão Contar alcança 36,9%, ampliando a vantagem sobre os demais concorrentes.
Já no terceiro cenário, onde o único representante do PL é Marcos Pollon, Reinaldo Azambuja lidera com 45,5%, seguido por Nelsinho Trad com 36,7%. Pollon aparece em quarto lugar com 14%, atrás também de Vander Loubet e praticamente empatado com Soraya Thronicke dentro da margem de erro.
Os números indicam que, nos cenários avaliados pelo levantamento, Pollon apresenta desempenho inferior aos demais nomes testados pelo PL para a disputa senatorial.
A pesquisa ouviu 1.000 eleitores entre os dias 25 e 27 de maio de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MS-02139/2026.
Com a proximidade das definições eleitorais e a disputa interna por espaço dentro do PL, o vídeo de Bolsonaro voltou a ser utilizado por diferentes grupos políticos para sustentar interpretações distintas sobre os critérios que deverão prevalecer na escolha dos candidatos ao Senado em 2026.

